Inalado


ninguém sabe
que esse verso é proibido

o sentimento nele incluso
traz árduas lembranças

Tela de Marc Chagall

não posso te tocar
sem me tirar um pedaço

mas deixo seu perfume
na essência do poema

Nota à frances(c)a



Danou-se!
Foi-se no mundo sem qualquer dólar, real ou peseta.
Pôs duas mudas, par de calçados, em velha maleta.
Deixou um vazio ornado em nota de caderneta:

"Fui, Francesca!"



sorriu, vestiu-se,
foi-se à francesa
não deixou nome,
e-mail, celular...

:

sob(r)mesa



*Imagem localizada aqui.

A sós...



Tela “Terra Brumada” de Madu Lopes




Deixo sempre a porta entreaberta...

O vento assobia

Quando chega pra me fazer companhia



(Wania Victoria)





* Do interior *

fonte da imagem : google- sem informação de autoria

súbito estrala
o som dos meus sonhos
perscrutam os seus
um brilho de pérola
perpassa a menina
dos meus olhos
que observa calada
o rio aflito das horas

soube do amor
provado em gomos
laranja lima
em tempo amargo
do que fomos
paladar distante e raro

Úrsula Avner

Cozinhando poemas


Estou na cozinha
Entre batatas e cebolas.
Brinco com as palavras...
potato,poeta
cebola-ce-só
Estou só.
Choro.

Discurso da carne

.

entre as pernas, o ópio
(insana paixão);
no corpo, lilases.

na cama, o silêncio:
ressaca, um molho
de chaves.

a trama arrebenta
[união sem placenta]
discurso da carne.




“Homicídios de mulheres fazem parte da realidade e do imaginário brasileiro há séculos, como mostra variada literatura [...]. Depois de trinta anos de feminismo, que impôs à sociedade o "quem ama não mata" como repulsa ao assassinato justificado pelo "matar por amor" e de consistentes mudanças na posição socioeconômica e nos valores relativos à relação homem x mulher, como explicar que crimes de gênero continuem a ocorrer?” (Blay, Eva Alterman. MULHER, MULHERES: Violência contra a mulher e políticas públicas.  SciELO  Brazil. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142003000300006. Acesso em 31/01/11).

.

Há...

Há...

...aqueles que escrevem
arrematando a alma
fio a fio

que transformam buracos negros
em vertigens para se entrar e sair
a bel prazer

os que traduzem, recortam
fazem colagens dadaístas
sopas de letrinhas

que me silenciam pela perfeição
ou me desandam a falar
pela compatibilidade
de nossas vidas desgarradas.

Morro e nasço todo dia
em frases de tantos
[sinto alguns lado a lado

eu mesma, não sei o que faço
além de cuspir e alinhavar
fiapos.


quando turvas



que tu prefiras ficcional
enquanto aglomero tecidos
- olhos e lábios

isso gera voos à nau frágil
além de certa tendência
em apreender aparências
quando turvas realidades