Finalmente, as férias tão esperadas. Poderia se desvencilhar de tudo e de todos para dedicar-se ao prazer que tanto aguardara. Seu mimetismo a modelara de acordo com os anos de existência numa sociedade maniqueísta. Sua natureza forjada sufocou por muito tempo o desejo latente. Teria agora a oportunidade de decifrar os prazeres sem os escrúpulos morais que a impediam anteriormente de viajar, afinal, tinha o direito de investir em algo que fosse além da obrigação.
"Todo impulso que nos empenhamos em sufocar incuba em nosso espírito e nos envenena. Peque o corpo uma vez, e estará livre do pecado, porque a ação tem um dom purificador. [...] A única maneira de se livrar de uma tentação é ceder-lhe.” (1)
Já no avião, repassou o seu plano passo a passo... nada poderia sair errado! O lugar escolhido para exercer a sua liberdade era perfeito: a “cidade luz”.
Chegando a Paris, instalou-se confortavelmente em um hotel. Após um relaxante banho acompanhado por uma taça de “champagne” vestiu-se da cor do desejo. Determinada, seguiu para o encontro marcado cuidadosamente no mês anterior - não antes de confirmar por telefone a sua presença.
Meia hora após a ligação, encontrou-se com alguns homens e mulheres que compartilhavam a mesma fantasia. Apresentações superficiais... Joana percebeu que todos usavam os sentidos para perscrutar as mensagens subliminares. Apesar da diversidade das gentes, tinham algo em comum: cederam ao apelo lascivo da emoção, transgrediram a barreira cultural.
Em um instante que mais parecia eterno, seguiram lado a lado, emudecidos, extasiados pelo ritual iminente no qual seus recônditos desejos seriam realizados. Era-lhes impossível disfarçar o odor exalado pelos hormônios que lhes percorriam as entranhas.
Chegaram ao destino em transe: atravessaram corredores, andares; as mentes tentavam assimilar o que se passava. Os corpos mal respondiam aos comandos. As pernas trêmulas não mais resistiram e ali, no primeiro andar da ala Denon, sala 13, deleitaram-se. Em êxtase, vivenciaram aquele momento idílico: corpos em sintonia e mentes embevecidas, observando e sendo observados pelos olhos inanimados que acompanhavam o sorriso enigmático de “La Joconde”. O que estaria ela a pensar quando foi imortalizada pelo gênio renascentista?! Prosseguiram com a visita por outras alas do Louvre. No peito, além do descompasso, a certeza de que aquele momento ficaria eternizado em suas almas!
“Homicídios de mulheres fazem parte da realidade e do imaginário brasileiro há séculos, como mostra variada literatura [...]. Depois de trinta anos de feminismo, que impôs à sociedade o "quem ama não mata" como repulsa ao assassinato justificado pelo "matar por amor" e de consistentes mudanças na posição socioeconômica e nos valores relativos à relação homem x mulher, como explicar que crimes de gênero continuem a ocorrer?” (Blay, Eva Alterman. MULHER, MULHERES: Violência contra a mulher e políticas públicas. SciELO Brazil. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142003000300006. Acesso em 31/01/11).
Rompo o branco desta paisagem com tinta preta, em gel. Preto e gelatinoso tem sido também o meu pensamento desde que o vi completamente nu, sem o seu cavalo branco. Uma linda e frágil silhueta surgiu: a força, a imponência, a altivez cederam espaço. Onde estaria a armadura medieval, o aparato de guerra? O que fazer com a ausência de roupas? Eu já não as uso há um bom tempo, sei bem lidar com a minha nudez; não com a sua. Melhor vestir-se! Faz frio - não saberia como protegê-lo, sei apenas rezar.
Hoje, 14 de março de 2010, é um dia especial para todos aqueles que se dedicam à atividade poética. Para nós, integrantes do Maria Clara: simples mente poesia, o 14 de março contém um sabor memorável, comporta duplamente poèisis: além de ser o "dia nacional da poesia", é a "data natalícia da querida poetisa Lou Vilela".
Lou Vilela, natalense de origem e residente na cidade do Recife-PE, é poetisa de grande sensibilidade imagística e habilidade semântica. Posta, regularmente, poemas e breves textos em prosa em seu espaço virtual Nudez poética,direcionado à acepção literária adulta. E desenvolve, na Blogosfera, um trabalho voltado ao leitor infanto-juvenil, especialmente às crianças, no blog Ritmos e rimas. Vejamos alguns traços de sua poesia.
Uma das qualidades da voz poética de Lou Vilela é a expansão - em versos oníricos, breves e musicais -, de temáticas profundas e ambíguas. A poeta, fazendo da “pena moinho”, anuncia/denuncia a vida das "gentes esquecidas” espalhadas à margem do tecido social. Nordestinos, mulheres, crianças são protagonistas em seus versos, oferece voz a grupos considerados “minorias”; muitas vezes expostos a múltiplas violências nas práticas sociais cotidianas.
Essas considerações podem ser apreciadas em os versos de Simbiose e Um conto sem réis. Leiamos os dois poemas:
em terra seca
de ninguém
sou nada
imprescindo d’água
e na face inundada
provo das gentes
meu sertão..., mal cabe na garganta:
as gentes, escorrem-me pelos dedos
(in: Simbiose).
***
Naquele pardieiro
ecos paredes rachadas
de risos de bocas
esfomeadas
vazamentos incontidos
profundo (a)mar
(in: Um conto sem réis).
Os poemas de Lou Vilela, além de profundidade temática, contêm intensidade lírica e apresentam belas imagens femininas associadas a contextualizações, metalinguagens, ambiguidades e sinestesias várias. Onde transbordam, em versos sugestivos e sensuais, frescores que remetem ao atordoamento e, por isso, alagam/alargam sentidos. Sensações que se podem experimentar a partir de os versos de Reflexos:
é esse teu olhar invasivo
que atordoa...
essa tua tatuagem olfativa
que embriaga...
tuas unhas que marcam,
tua saliva que cura.
são os teus trejeitos que ins.piro,
os teus trajetos que invado
entre mentes dentes dedos e falo.
enquanto transbordas
me alago.
(in: Reflexos).
No tocante à poesia infantil, a voz de Lou Vilela desenvolve temas como a dor, a perda e a morte; o cotidiano das crianças com suas brincadeiras, jogos e linguagens; a natureza e a temática animal; além de assuntos pertinentes à vida de um ser em desenvolvimento, como a alimentação.
Por meio do jogo e do ludismo, da imagística, da simplicidade na linguagem, da rima e figuras sonoras, a poetisa expande valores que se apresentam coerentes a um leitor em formação; e convida a criança a adentrar no mundo das letras, da imaginação e a construir conceitos.
Através do sentir/fazer poético, Lou Vilela propõe jogos de linguagem e desafios semânticos que contribuem para inquietar e remeter os leitores à plurissignificação textual, promovendo a construção de sentidos através do desvendar de pistas, combinações, sugestões de signos e imagens.
A sua poesia infantil oferece espaço para a livre significação, o que demonstra o respeito da autora às especificidades e à imaginação da criança; apresentando-lhes temas que, sem imposições moralísticas, portam consistência nos conteúdos de mensagem que, poeticamente, levam à reflexão das coisas existentes na natureza física e social-humana.
Leiamos mais dois poemas de Lou Vilela. Neles, a poetisa sopra belas imagens ligadas à natureza e se apresenta à criança - também ao leitor adulto - como "mensageira do vento"; anunciando a função da poesia e do poeta. E, posteriormente, convida o leitor a pensar a morte e a perda, valores que perpassam a vida humana:
Meninos com gula
-
De mãos dadas
como se fossemos
meninos com gula
íamos pelos taludes
à procura de amoras.
A deflagração da luz
a prumo na estiagem
aquentava-nos o corpo...
invento
-
líria porto
nem nós sabemos quem somos
menos ainda que não nos conhece
e se aproxima
não sou a pessoa que amaste
não é a pessoa que amei
nós nus
...
Balbúrdia Poética
-
*Balbúrdia Poética*
Dia 11 de outubro - 19h
La Taberna de Laura
Rua Xavier da Silveira, 34
Copacabana - Rio de Janeiro-RJ
a contribuição milionária de to...
Mariana, Brumadinho e Pompeia
-
Em meu segundo livro, Elefante, publicado em 2013, escrevi uma série de
poemas, todos girando em torno do mesmo tema: a possibilidade do homem
permanecer ...
Sonnet 43
-
Rabugens penal
Piparotes de memórias
Conúbio legal
Amor é mote
Esquecimento
Deus um norte
Não faço poemas
Pra você
Que queimas
Ao morrer
Algemas
No viv...
Um último poema para epitáfio
-
Oh Esteves
Uma andorinha pousou na minha sorte
No meio do caminho tinha um beco
Eu não conheço ninguém em Pasárgada
O trem das onze não passa em Jaçanã
Lídi...
Círculos de fada
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Foto: Namíbia (autor desconhecido) . bocas ornamentam planícies laranja,
manifestando agradecimento pelo manto refrescante que se anuncia. mas o
tempo é pr...
Vovô em cena
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*A Gabriel, in memoriam*
*O vovô de Iago,*
*Mateus e Aninha*
*fechou os olhinhos,*
*esqueceu a idade:*
*partiu sem adeus,*
*sem mochila...*
*na hora de f...
Jumper (2008)
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ítaca e áfrica
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de ítaca roubei helenas tantas em áfrica montei os sete mares casei-me com
mulheres todas santas cobri meu corpo gasto de alamares. as vidas são mais
tanta...
GRADAÇÃO DE SOMBRAS
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*A Hora Negra*
*( Às poetas Adriana Zapparoli, Célia Musilli*
*& Marceli Becker )*
*I. *
Apagar labareda ante os olhos de um dragão
Atordo...
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*1. A tomada do poder por Luís XIV **** (Rossellini, 1966)
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da compreensão
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Coreografia
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quando não tive saída abri a porta da sala
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Cara Alami Mengencangkan Kulit Wajah - Kulit yang sudah mulai tidak kencang
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Poema de Alberto da Cunha Melo
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*NESTE INCERTO LUGAR*
"O essencial é assustadíssima
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só duas mãos, dentro da treva,
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ou surpreendê-lo n...
Chamado
-
o amor me chama
deseja repousar no meu colo
esparramar-se em minha cama
pleno e delicado
sereno e desarvorado
dono de si
dono de mim
quero o amor sussurr...
sentimento de araque
-
Coisa inútil e inveja, sentimento de araque. A pessoa enxerga no outro algo
que pensa querer ter demais. E e tao forte o olhar na grama do vizinho que
...
[Ano III, No. 27 - 2013] DES-CONSTRUINDO O GÊNERO
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....................................VINHETA DE APRESENTAÇÃO E SUMÁRIO
Revista Ellenismos, 27: des-construindo o gênero from nina rizzi on Vimeo.
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Giz*
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* "No palco, na praça, no circo, num banco de jardim,*
* correndo no escuro, pichado no muro, você vai saber de mim..."*
*Chico Buarque*
Se tive...
Artistic K Cups
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the mos...
Do amor conhecido
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*e se você não tivesse me segurado a mão com a delicadeza de quem lhe
conhece as feridas antigas, e se você não me dissesse da emoção dos teus ...