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Remoinho poético

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Percorrem os dedos trépidos
sem-nomes confins.

Às pedras, cOnToRnOs dialéticos;
às flores, aromas ciganos.

Da gênese ao apogeu
gozo e poiesis.

Lou Vilela
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Do falo à fala

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Tela de Vicente do Rego Monteiro


Meio loucas, meio santas
Rimam alternância
                            Lua
                                Sol

Meio putas, meio mantras
Freud em si
                    Menor
                             Bemol

Da penumbra à(o) Alvorada
Fiam rapadura
        Dão a cara à tapa
                 Parem rouxinol


Lou Vilela 
in Nudez Poética
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A poesia e o mito


 
Edward Burne-Jones - Pan and Psyche



Conteve a poesia
com mãos de quimera:

soprou-lhe aos ouvidos
olhar sustenido
fina flor pagã.

Lou Vilela
in Nudez Poética



* Livre adaptação do mito de Pã.

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O bonde


 
O último bonde, Sandra Nunes


O tempo impreciso, necessário
Anda às voltas – turbilhão;

Deixa rastro de estrelas
Todas idas nalgum bonde
Caleidoscópica estação.

As cidades iluminadas
Mais parecem lá do alto
Liturgia, profissão;

Arrebentam todo dia
Os que acordam em romaria:
Bando de arribação.

Ecoam pelo sagrado
Medos, martírios, brinquedos
- Marionetes de colisão:

Há na fugacidade
Uma gente dissonante
Passos simples, claudicantes
Que se vinca em contramão.

Lou Vilela

in Nudez Poética
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Fluidez

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Acordei com o sal da palavra.
Logo hoje, dia de deslembrar,
Invade-me traçado
Um corpoema.

Acordei com o sal da palavra.
Toda a metáfora liquefeita
Entre os vãos
De minhas coxas,
Vontade de escorrer
Sem margens.

Lou Vilela in Nudez Poética


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Vício II

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Clique na imagem para ampliar.

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Orgia

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Temptation - Franz von Stuck

Temptation - Franz von Stuck
          Finalmente, as férias tão esperadas. Poderia se desvencilhar de tudo e de todos para dedicar-se ao prazer que tanto aguardara. Seu mimetismo a modelara de acordo com os anos de existência numa sociedade maniqueísta. Sua natureza forjada sufocou por muito tempo o desejo latente. Teria agora a oportunidade de decifrar os prazeres sem os escrúpulos morais que a impediam anteriormente de viajar, afinal, tinha o direito de investir em algo que fosse além da obrigação.

          "Todo impulso que nos empenhamos em sufocar incuba em nosso espírito e nos envenena. Peque o corpo uma vez, e estará livre do pecado, porque a ação tem um dom purificador. [...] A única maneira de se livrar de uma tentação é ceder-lhe.” (1)

          Já no avião, repassou o seu plano passo a passo... nada poderia sair errado! O lugar escolhido para exercer a sua liberdade era perfeito: a “cidade luz”. 

          Chegando  a Paris, instalou-se confortavelmente em um hotel. Após um relaxante banho acompanhado por uma taça de “champagne” vestiu-se da cor do desejo. Determinada, seguiu para o encontro marcado cuidadosamente no mês anterior - não antes de confirmar por telefone a sua presença. 

          Meia hora após a ligação, encontrou-se com alguns homens e mulheres que compartilhavam a mesma fantasia. Apresentações superficiais... Joana percebeu que todos usavam os sentidos para perscrutar as mensagens subliminares. Apesar da diversidade das gentes, tinham algo em comum: cederam ao apelo lascivo da emoção, transgrediram a barreira cultural. 

          Em um instante que mais parecia eterno, seguiram lado a lado, emudecidos, extasiados pelo ritual iminente no qual seus recônditos desejos seriam realizados. Era-lhes impossível disfarçar o odor exalado pelos hormônios que lhes percorriam as entranhas.

          Chegaram ao destino em transe: atravessaram corredores, andares; as mentes tentavam assimilar o que se passava. Os corpos mal respondiam aos comandos. As pernas trêmulas não mais resistiram e ali, no primeiro andar da ala Denon, sala 13, deleitaram-se. Em êxtase, vivenciaram aquele momento idílico: corpos em sintonia e mentes embevecidas, observando e sendo observados pelos olhos inanimados que acompanhavam o sorriso enigmático de “La Joconde”. O que estaria ela a pensar quando foi imortalizada pelo gênio renascentista?! Prosseguiram com a visita por outras alas do Louvre. No peito, além do descompasso, a certeza de que aquele momento ficaria eternizado em suas almas!



* Escrito originalmente em 06/04/08.
1 Wilde, Oscar. O Retrato de Dorian Gray. São Paulo: Martin Claret Ltda., 2007. Trad. Pietro Nassetti. p. 30.

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Discurso da carne

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entre as pernas, o ópio
(insana paixão);
no corpo, lilases.

na cama, o silêncio:
ressaca, um molho
de chaves.

a trama arrebenta
[união sem placenta]
discurso da carne.




“Homicídios de mulheres fazem parte da realidade e do imaginário brasileiro há séculos, como mostra variada literatura [...]. Depois de trinta anos de feminismo, que impôs à sociedade o "quem ama não mata" como repulsa ao assassinato justificado pelo "matar por amor" e de consistentes mudanças na posição socioeconômica e nos valores relativos à relação homem x mulher, como explicar que crimes de gênero continuem a ocorrer?” (Blay, Eva Alterman. MULHER, MULHERES: Violência contra a mulher e políticas públicas.  SciELO  Brazil. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142003000300006. Acesso em 31/01/11).

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Embrulhado em papel de pão

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Tomei um porre na esquina
Daquele que entroncha o sujeito
Senti o ar rarefeito
Formigamento na mão
Fiz uns versos, umas rimas
Esvaziei o segredo
Trancafiado no peito
Cuspido em papel de pão

Empolgado, dei vexame
Subi no banco da praça
Declamei com água nos olhos
Pra quem só fazia achar graça
Aqueles versos na mão
O papel todo amassado
Ali desvendava o mistério
Eu, homem sério
Trôpego de paixão

Quem não conhece essa flor
Desdenha de minha dor
Oferece remédio
Mulher cheirosa, fogosa
Que geme o nome da gente
Mas minha paixão renitente
Prefere ranger o dente
Cuspir em papel de pão

Quem sabe um dia ela ouça
Meus versos, minha prece
Sorrindo, logo se apresse
Cuspa em papel de pão
Um bilhete mais que sentido
Dizendo que de ouvido
Soube de minha paixão
E aceita casar comigo

Lou Vilela in Nudez Poética
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Fisiológico



La Dormeuse - Renoir


tua fome é carne
que me come;

é traje
que visto
pelo avesso;

trágica,
profética,
é tropeço;

prurido,
pecado
e perdão.

tua fome
exaspera
minha fome

- alimento
que abisma
e me mata.

Lou Vilela in Nudez Poética

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Girassóis

Detail of Vincent van Gogh (1853-90), Sunflowers, 1889. Oil on canvas, 95 x 73 cm.
Van Gogh Museum, Amsterdam (Vincent van Gogh Stichting).




Corpos paredes lençóis
permissivos.
Sibilam bocas
provocam olhos ouvidos

: pontos encontros de peles pelos
partes intumescidas.

Tudo cala.

A brisa sopra horas vencidas.
Florescência.
O dia amanhece em paz.


Lou Vilela

 

* Poema publicado no "Balaio Porreta 1986" em 19/11/09.
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Nerudianas


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Prefiro que não, amada.

Para que nada nos amarre
que nada nos una.

Nem a palavra que aromou tua boca,
nem o que não disseram as palavras.

Nem a festa de amor que não tivemos,
nem teus soluços perto da janela.

Amo o amor dos marinheiros
que beijam e se vão.

Deixam uma promessa.
Não voltam nunca mais.

Em cada porto uma mulher espera:
os marinheiros beijam e se vão.

Uma noite se deitam com a morte
no leito do mar.

(Pablo Neruda in Crepusculario)


Seria tua musa desde que
aprendêssemos a roçar
minha língua tua língua
envolvidas nesse mar.

Envolvidas nesse mar
suculentas nerudianas
mil histórias duas bocas
minha língua tua língua

alagadas tateando
aprendêssemos a roçar
enviesadas declarando.

Seria tua musa desde que
duas línguas um destino
soubessem conspirar.

(Lou Vilela in Nudez Poética)
   


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Nudez indesejada

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Jean-Hippolyte Flandrin



Rompo o branco desta paisagem com tinta preta, em gel. Preto e gelatinoso tem sido também o meu pensamento desde que o vi completamente nu, sem o seu cavalo branco. Uma linda e frágil silhueta surgiu: a força, a imponência, a altivez cederam espaço. Onde estaria a  armadura medieval, o aparato de guerra? O que fazer com a ausência de roupas? Eu já não as uso há um bom tempo, sei bem lidar com a minha nudez; não com a sua. Melhor vestir-se! Faz frio - não saberia como protegê-lo, sei apenas rezar.




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fluxopoema

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* Mais poemas: para miúdos, aqui; para graúdos, aqui

Poesia visual



 




Lou Vilela in Nudez Poética

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"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara" *

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Exploding Clock - Salvador Dali

 

Ao passante

Implacável o tempo sobre todos
os nomes. Fazer dele uma arte
espanto, extensão...
 
Lou Vilela

Imortal

Corta, perfura, remenda...

Da emoção, nasce o poema
No caos, morre o poeta.
Fim do primeiro ato!

Corta, perfura, remenda...
A cada poema,
Renasce do caos, o poeta.
Fim do segundo ato!

Corta, perfura, remenda...
Imortal é o poema,
A alma do poeta
Fim do espetáculo!



Lou Vilela in Nudez Poética 

* Citação no título: José Saramago.


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Indulto

Fauna e Flora Brasileiras, de Cândido Portinari


Ao mergulhar profundidade oceano
O corpo atordoa.


[Minha terra tem coqueiros
E aves de ruma;
Farinha, cuscuz, munguzá;
Folclore, credos, patuás.]

Quando necessário implodo, recomeço.
Visto incansavelmente as peles que me tocam:
Sou uno, sou todos, zé-ninguém
- Sou Poeta!

Ademais, afino-me pelo diapasão dos pássaros.

[Não permita Deus que eu morra,
Sem gorjear.]




Lou Vilela in Nudez Poética
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O poeta e a língua

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Através de um diálogo com o poema "língua"
do talentoso poeta Danilo Abreu,
presto uma singela homenagem
aos amigos poetas.



Il poeta.... un libro aperto - Pietro Barbera
acquerello formato 50x70 cm



na boca, sempre algo mais:
a língua que se lhe dis.puta
vogal ressonante ou parasita
propõe, invoca, catalisa
poesia até quando não dita.

aquele que à palavra jaz
en.verga, língua o seu caos;
singra à pele: sua assaz.sina.
formou-se mosca augural,
lambedor de cascas des.feridas.

 

Lou Vilela in Nudez Poética


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Cabralina


Salvador Dalí - Galatéia das Esferas


W. H. Auden
(1905-1973)

Se morre da morte que ela quer.
É ela que escolhe seu estilo,
sem cogitar se a coisa que mata
rima com sua morte ou faz sentido.
Mas ela certo te respeitava,
de muito ler reler teus livros,
pois matou-te com a guilhotina,
fuzil limpo, do ataque cardíaco.

(João Cabral de Melo Neto)



Entre mim e ela

A morte mata do que ela quer.
Mas tentarei convencê-la:
chegar consciente, partir sonhando
flutuando em travesseiro.
Aspirar, por via das dúvidas,
poesia e cheiro
de um tudo que aqui vivi.
Ser queimada, virar cinzas
espalmada à toda sorte.
Seguir passarinho:
[só sucumbir à morte]
sumir em revoada.


Postagem simplesmente poesia (20)



LOU VILELA, A MENSAGEIRA DO VENTO





Hoje, 14 de março de 2010, é um dia especial para todos aqueles que se dedicam à atividade poética. Para nós, integrantes do Maria Clara: simples mente poesia, o 14 de março contém um sabor memorável, comporta duplamente poèisis: além de ser o "dia nacional da poesia", é a "data natalícia da querida poetisa Lou Vilela".
Lou Vilela, natalense de origem e residente na cidade do Recife-PE, é poetisa de grande sensibilidade imagística e habilidade semântica. Posta, regularmente, poemas e breves textos em prosa em seu espaço virtual Nudez poética, direcionado à acepção literária adulta. E desenvolve, na Blogosfera, um trabalho voltado ao leitor infanto-juvenil, especialmente às crianças, no blog Ritmos e rimas. Vejamos alguns traços de sua poesia.
Uma das qualidades da voz poética de Lou Vilela é a expansão - em versos oníricos, breves e musicais -, de temáticas profundas e ambíguas. A poeta, fazendo da “pena moinho”, anuncia/denuncia a vida das "gentes esquecidas” espalhadas à margem do tecido social. Nordestinos, mulheres, crianças são protagonistas em seus versos, oferece voz a grupos considerados “minorias”; muitas vezes expostos a múltiplas violências nas práticas sociais cotidianas.
Essas considerações podem ser apreciadas em os versos de Simbiose e Um conto sem réis. Leiamos os dois poemas:

em terra seca
de ninguém
sou nada

imprescindo d’água
e na face inundada
provo das gentes

meu sertão..., mal cabe na garganta:
as gentes, escorrem-me pelos dedos
(in: Simbiose).


***

Naquele pardieiro
ecos paredes rachadas
de risos de bocas
esfomeadas
vazamentos incontidos
profundo (a)mar
(in: Um conto sem réis).

Os poemas de Lou Vilela, além de profundidade temática, contêm intensidade lírica e apresentam belas imagens femininas associadas a contextualizações, metalinguagens, ambiguidades e sinestesias várias. Onde transbordam, em versos sugestivos e sensuais, frescores que remetem ao atordoamento e, por isso, alagam/alargam sentidos. Sensações que se podem experimentar a partir de os versos de Reflexos:

é esse teu olhar invasivo
que atordoa...

essa tua tatuagem olfativa
que embriaga...

tuas unhas que marcam,
tua saliva que cura.

são os teus trejeitos que ins.piro,
os teus trajetos que invado
entre mentes dentes dedos e falo.

enquanto transbordas
me alago.
(in: Reflexos).

No tocante à poesia infantil, a voz de Lou Vilela desenvolve temas como a dor, a perda e a morte; o cotidiano das crianças com suas brincadeiras, jogos e linguagens; a natureza e a temática animal; além de assuntos pertinentes à vida de um ser em desenvolvimento, como a alimentação.
Por meio do jogo e do ludismo, da imagística, da simplicidade na linguagem, da rima e figuras sonoras, a poetisa expande valores que se apresentam coerentes a um leitor em formação; e convida a criança a adentrar no mundo das letras, da imaginação e a construir conceitos.
Através do sentir/fazer poético, Lou Vilela propõe jogos de linguagem e desafios semânticos que contribuem para inquietar e remeter os leitores à plurissignificação textual, promovendo a construção de sentidos através do desvendar de pistas, combinações, sugestões de signos e imagens.
A sua poesia infantil oferece espaço para a livre significação, o que demonstra o respeito da autora às especificidades e à imaginação da criança; apresentando-lhes temas que, sem imposições moralísticas, portam consistência nos conteúdos de mensagem que, poeticamente, levam à reflexão das coisas existentes na natureza física e social-humana.
Leiamos mais dois poemas de Lou Vilela. Neles, a poetisa sopra belas imagens ligadas à natureza e se apresenta à criança - também ao leitor adulto - como "mensageira do vento"; anunciando a função da poesia e do poeta. E, posteriormente, convida o leitor a pensar a morte e a perda, valores que perpassam a vida humana:



vem pulsar uma viola sob
noite enluarada,
ouvir grilos, vagar lume?

há dias em que até as pedras
cantam poemas: a natureza
explode em exuberância!

e o poeta (in)venta
: faz da pena um moinho.



............................................a Gabriel, in memoriam

O vovô de Iago,
Mateus e Aninha
fechou os olhinhos,
esqueceu a idade:

partiu sem adeus,
sem mochila...
na hora de fazer
traquinagem.

No céu uma estrela
que brilha e acena.
Sorrindo, encena
deixando saudades.



Notas:

[1] Texto escrito por Hercília Fernandes.
[2] Arte: Catavento, de Luciana Teruz (Brasil, 1961).
[3] Poemas extraídos dos blogs da autora: Nudez poética e Ritmos e rimas.
[4] Foto: Lou Vilela.
[5] Texto revisitado em 16 de março de 2010.