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cinco marias

 

se eu pudesse pedir...
ao invés de agradecer

pediria o regresso à terra
onde nasci e hei de morrer

como os pedidos foram muitos
os agradecimentos bem poucos

retorno nova mente ao assunto
com os rolling stones em torno

hercília fernandes


para que você declamasse as sementes e as pedras que por dentro é ouro
queria poder retirar todas as perdas do seu caminho

mas quem sou eu para saber das perdas e do signo de touro
quando muito sei das pedras que em silêncio recolhi sozinho

assim vai esse poema alado afeito a teias e perfumes de jasmim
a convidar-te para jogar cinco marias with the rolling stones and dreams

fernando cisco zappa



*Poema a mim ofertado por ocasião de aniversário dos trinta e oito... O texto fora publicado, conjuntamente a outras belas escritas dos amigos poetas, no HF diante do espelho, em abril de 2009.
*Arte localizada em vários blogs da Internet.


Am[i]n[ha]iótica...

Imagem da internet





Pelo cordão que me ata ao umbigo da noite

Chego ao mundo líquido dos sonhos

De onde nunca nasci



(Wania Victoria)







* Do interior *

fonte da imagem : google- sem informação de autoria

súbito estrala
o som dos meus sonhos
perscrutam os seus
um brilho de pérola
perpassa a menina
dos meus olhos
que observa calada
o rio aflito das horas

soube do amor
provado em gomos
laranja lima
em tempo amargo
do que fomos
paladar distante e raro

Úrsula Avner

*Alguma inundação*

fonte da imagem: Google- sem informação de autoria

de me fazer chuva
andei umectando sonhos
encharquei desejos
até estirar feito rio lambido
seco de (a)mar

Úrsula Avner

* inspirado nos poemas da postagem " diálogos de rio e mar " de Nina Rizzi
e Hercília Fernandes.

* Desprendimento *

uma a uma
caem as flores ao chão
olhos coloridos
bem abertos
enxergam agora
de um novo lugar
ampliada visão
vento brinca ao redor

as flores
apenas observam


senil é o sonho
que se esconde
atrás das montanhas
cavalga incólume
no dorso do tempo
sem a dor do chicote
sem marcas de esporas

as flores
apenas observam


Úrsula Avner

* Quem a vê... não a sabe


arte : Pino Daeni


Quem a vê


terna e pacata


meiga e cordata


olhar sereno


não a conhece



Quem a vê


sobre a sacada


em sonhos debruçada


gesto ameno


sente que não desfalece



Seios proeminentes


escondem pulsações


olhares intermitentes


guardam rios de emoções



Quem a vê


em trajes comportados


sorriso discreto e são


desconhece que provou


o gosto doce do figo


nas vestes naturais de Adão



Úrsula Avner




Momento retrô


O velho violinista - Picasso, 1903


"Amor condusse noi ad una morte" Dante, Inferno



o que mais me dói agora
é ver esse infinito amor findado
é não cruzar teu olhar de outrora
agora que me conjugas passado
( perdido, posto, finado)

o que mais me dói agora
da garganta por um nó te prendo
do corpo pelos poros me escapas
agora a vida insone me apavora
( meu sonho, o teu devora)

receio que o que mais me dói agora
é perceber que na madrugada fria
só lembranças me farão companhia
agora que a ausência de ti vigora

no fundo, sinto que o que mais dói agora
é pressentir as propostas sem propósito
consentir na espera que desespera
agora que sei que a paz inda demora

o sonho acabou, te pergunto ciente
como sublimar o sentir que evapora
peço que esclareças antes de ir embora
a mim, que só te sei conjugar presente

.

* Sobre o mundo de dentro *



imagem de Julie Tremblay


Quisera esmerilhar

o sono guardado

em nuvens brancas

fazer esguichar do tempo

vontades aprisionadas

balançar as ancas

soltar ao vento

borboletas encarceradas


Quisera enxergar

um clarão no beco

Na opacidade do corpo

as matizes

Sob a pele do estrondo

o sossego

Na carniça

perdizes

(apenas) sonhos á vista


Úrsula Avner