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* alma flamenca *

tela : danza del fuego - Carlos Carreteiro

passos absolutos
golpeiam o chão
chora a guitarra
pulsa forte
o coração

nas mãos
a leveza da garça
batidas compassadas

sensualidade
paixão
mistério
dramatização

o palco
vermelho
como carmim
olhos marcados
tez franzida
desejos farpados
vibram em mim

Úrsula Avner

* Olá pessoal, sou apaixonada por dança flamenca e só agora, após os 40 anos, tive oportunidade de aprender um pouco desta complexa e bela dança originária da Espanha.
O poema é uma homenagem aos (ás) dançarinos (as) de flamenco.
Carlos Carreteiro é um pintor espanhol que reside em B.H e juntamente com sua mulher, é dono do La Taberna onde podemos saborear típica comida espanhola e assistir a belas apresentações de dança flamenca. Um abraço !

Úrsula

* Do interior *

fonte da imagem : google- sem informação de autoria

súbito estrala
o som dos meus sonhos
perscrutam os seus
um brilho de pérola
perpassa a menina
dos meus olhos
que observa calada
o rio aflito das horas

soube do amor
provado em gomos
laranja lima
em tempo amargo
do que fomos
paladar distante e raro

Úrsula Avner

* Canção noturna *



o homem

da rua sem poste

esgueira-se do dia

tatua no corpo

o sol da meia noite

sombra estirada

na lápide do lume


olhos que veem

mãos que apalpam

sem a clarividência do sol

sem o estrondo do cotidiano

o homem da rua sem poste

há de viver cem (sem) anos


Úrsula Avner

* Esse poema foi postado no meu blog há um tempo atrás e hoje resolvi postá-lo aqui no Maria Clara... Um abraço a todos e todas.

* Desprendimento *

uma a uma
caem as flores ao chão
olhos coloridos
bem abertos
enxergam agora
de um novo lugar
ampliada visão
vento brinca ao redor

as flores
apenas observam


senil é o sonho
que se esconde
atrás das montanhas
cavalga incólume
no dorso do tempo
sem a dor do chicote
sem marcas de esporas

as flores
apenas observam


Úrsula Avner

* Rotina *


velha caquética

não sabe que já caducou


alma esquelética

no tempo estancou


arrasta seu chale puido

sapatos roidos

corpo moido


nas mãos rugosas

cheiro de mofo


nos olhos fracos

réstia de um brilho fosco


catarata



Úrsula Avner

* imagem disponível no google- sem informação de autoria
obs: o objetivo aqui, longe de enaltecer qualquer preconceito em relação ao envelhecimento, é usar elementos linguísticos relacionados socialmente á velhice, que apontam a rotina como algo sem vigor ou prazer, como em alguns casos de envelhecimento.