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[S]enas...






Cena 1
Linhas de metrô
Bordo quando venho
E quando vou


Cena 2
Neve no telhado
Risco um coração na vidraça
Dentro fumega o chá de canela na taça


Cena 3
Folha que cai no rio
Bilhetinho de amor
Que ninguém viu


Wania Victoria




Foto do meu arquivo pessoal


* Canção noturna *



o homem

da rua sem poste

esgueira-se do dia

tatua no corpo

o sol da meia noite

sombra estirada

na lápide do lume


olhos que veem

mãos que apalpam

sem a clarividência do sol

sem o estrondo do cotidiano

o homem da rua sem poste

há de viver cem (sem) anos


Úrsula Avner

* Esse poema foi postado no meu blog há um tempo atrás e hoje resolvi postá-lo aqui no Maria Clara... Um abraço a todos e todas.