Imperatriz

e quanto mais se investiga,
maior a intriga:

o que quer
a mulher
afinal?

ser vírgula
(parêntese)
e ponto final

ter pílula
(êxtase)
e gozo real

ser península
(ilha)
e terra continental


Renata de Aragão Lopes


Imagem: arcano A Imperatriz, de O Tarô Encantado,
de Amy Zerner e Monte Farber, Editora Siciliano.


* Pontuação subjetiva *

arte : Mulher
By: Renné Magritte


Não me defino
pois quando
não estou
entre parênteses
estou entre aspas
exclamação perene
interrogação absoluta
atolada em reticências
adjetivada entre vírgulas
levito nas entrelinhas
até me reduzir ao ponto final
ou não...

Úrsula Avner

" Transito em meu íntimo como quem navega em águas marítimas profundas. Segredo abissal. Quando na superfície, a cada linha alcançada, avisto mais uma... Horizontes abertos em mim. "

Úrsula Avner


* Singela homenagem ao dia Internacional da Mullher

Do infinito

Imagem de Bella Kotak


A palavra falta.
Falha
Escapa
E
s
c
o
r
r
e

Esmorece

Engana
Escasseia.

Em meu peito,

o sentimento transborda.
Sobra
Inunda
Entorna
Extravasa.
Verte,
infinito.

Talita Prates

Poema Erótico

As bocas,
as mãos.
O teu gozo
não é o meu.
Não estou pudica,
sou literal.
Estou egoísta do meu umbigo...
a abaixo dele.

( Andei lendo Histórias eróticas de Anais Nin, ela inspira.)

Néon

Clique na imagem para ampliar.



Lou Vilela in Nudez Poética
.

Suspensa no ar

Tela de Edvard Munch


Disseram-me para tentar o riso, a cor, o som...
Então
embrenhei-me num mundo de roteiros sem fim.

Agora haja quem:
auscutará cada volume que criei
arquitetará os prédios sem topo que escalo
e verá o que ainda escondo entre feno e pluma

para achar o que perdi e emendar no caminho
que resolveu empac(ot)ar meus sonhos.

LARAMARAL

primeira variação pra fronteira

Nelson Quesado, Pôr do sol na estrada. Fronteira Icapuí/ Ce, Mossoró/ RN.

nina rizzi

(lado a)

a cobertura e suas mil-luzes acesas, o cheiro de carne morta;
o resíduo dos serezinhos que cagam

- ser que é ser caga, se deus existe, onipotente e presente, ele faz
é muita merda -, o esgoto.

(o limite)

umas motos passam. param.
trocam balas, crack. passam.

(lado b)

uma moça e uns gatos e um cigarro e uma dose de quê num prédio trapo.

a rua, fronteira metafísica, seria planalto pra montanha depressão,
mas não.

eu a penso e ela me faz:
saudades, merdas, poemas.
*

metros de chuva

arte: Boris, 1997.


Não posso dizer se a chuva passou

nem se lágrimas deixaram de brotar

em minha face então fria.


Nem se tempestades cessaram

seus cantos brios

nas noites cinza de ventania.


Não posso dizer se esqueci

tampouco se lembrarei.

Não posso dizer se sofri

porquanto se o amei.


Quisera ter a bússola do tempo

ou um paiol do teu alimento.

Quisera ter o discernimento

pra sustentar o meu riso

e o teu lamento.


Mas se chegaste ao meu domínio

trataria de recusar:

De que me vale tal envaidecimento

se meu barco segue sempre a vagar?...


Mas se fosse pro teu encantamento

eu rezaria até formar:

Uma tempestade de firmamento

com metros de chuva

à luz do meu riso e teu luar.



by hercília fernandes