Cozinhando poemas


Estou na cozinha
Entre batatas e cebolas.
Brinco com as palavras...
potato,poeta
cebola-ce-só
Estou só.
Choro.

Discurso da carne

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entre as pernas, o ópio
(insana paixão);
no corpo, lilases.

na cama, o silêncio:
ressaca, um molho
de chaves.

a trama arrebenta
[união sem placenta]
discurso da carne.




“Homicídios de mulheres fazem parte da realidade e do imaginário brasileiro há séculos, como mostra variada literatura [...]. Depois de trinta anos de feminismo, que impôs à sociedade o "quem ama não mata" como repulsa ao assassinato justificado pelo "matar por amor" e de consistentes mudanças na posição socioeconômica e nos valores relativos à relação homem x mulher, como explicar que crimes de gênero continuem a ocorrer?” (Blay, Eva Alterman. MULHER, MULHERES: Violência contra a mulher e políticas públicas.  SciELO  Brazil. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142003000300006. Acesso em 31/01/11).

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Há...

Há...

...aqueles que escrevem
arrematando a alma
fio a fio

que transformam buracos negros
em vertigens para se entrar e sair
a bel prazer

os que traduzem, recortam
fazem colagens dadaístas
sopas de letrinhas

que me silenciam pela perfeição
ou me desandam a falar
pela compatibilidade
de nossas vidas desgarradas.

Morro e nasço todo dia
em frases de tantos
[sinto alguns lado a lado

eu mesma, não sei o que faço
além de cuspir e alinhavar
fiapos.


quando turvas



que tu prefiras ficcional
enquanto aglomero tecidos
- olhos e lábios

isso gera voos à nau frágil
além de certa tendência
em apreender aparências
quando turvas realidades





Maria Fumaça...




Imagem da internet




Caminhos de ferro

Palavras de cristal

Inspiração passageira


(Wania Victoria)






* Arranque *

amei-te
com força de raiz

arrancado da terra
o amor não morreu
por um triz

sobrevive
como se ainda se sentisse
seguro e feliz

Úrsula Avner

A nova era...e um Feliz 2011


Queimamos em fogueiras,
mas descobrimos o fogo.
Explodimos prédios mas inventamos o avião.
Fomos assombrados por demônios,
porque a criatividade não é divina
é humana.
Que a nova era que chega possa nos mostrar
que os sacrifícios da mudança fizeram a vida
valer a pena.



Embrulhado em papel de pão

.

Tomei um porre na esquina
Daquele que entroncha o sujeito
Senti o ar rarefeito
Formigamento na mão
Fiz uns versos, umas rimas
Esvaziei o segredo
Trancafiado no peito
Cuspido em papel de pão

Empolgado, dei vexame
Subi no banco da praça
Declamei com água nos olhos
Pra quem só fazia achar graça
Aqueles versos na mão
O papel todo amassado
Ali desvendava o mistério
Eu, homem sério
Trôpego de paixão

Quem não conhece essa flor
Desdenha de minha dor
Oferece remédio
Mulher cheirosa, fogosa
Que geme o nome da gente
Mas minha paixão renitente
Prefere ranger o dente
Cuspir em papel de pão

Quem sabe um dia ela ouça
Meus versos, minha prece
Sorrindo, logo se apresse
Cuspa em papel de pão
Um bilhete mais que sentido
Dizendo que de ouvido
Soube de minha paixão
E aceita casar comigo

Lou Vilela in Nudez Poética
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