Refúgio...
Maria Fumaça...
Parti[tura]
do começo ao fim
súbito bate a dúvida:
paixão é dádiva,
paga devida,
vocação atávica
ou dívida de (outra) vida?
II - VADE MECUM
vá, antes que amanheça
vá, antes que eu me despeça
ande, vá logo, desapareça
que é pra voltar mais depressa
II - INSTINTO
vem lá do fundo
do mais íntimo labirinto
este sentimento brut-nature
maduro, ex_tinto
.
Enluarada...
“Viajante de Vento” de Madu Lopes
Eu sou enluarada
Faço um barco
De uma sombrinha virada
Um bule de chá, um gato
Três margaridas e uma mala errante
Mala cheia de lembranças
Que a memória dobrou
Em noites de coração minguante
Um passarinho que não cala e uma bengala
[nunca se sabe, vai que resvala]
Me largo no mundo até nova parada
Da lua não me solto, por nada
Minha amiga, confidente das madrugadas
Tem de tudo, uma visão privilegiada
Se me sinto sozinha
Com as estrelas, romanceio
a poesia enciumada, chega junto e proseia
Se a dor me esvazia
Vem logo o vento me soprando maré cheia
Carrego uma gaiola aberta,
[Prisão, seja qual for, é tão deprimente]
E um relógio sem corda,
[Me guio pelos girassóis somente]
Amanheço sempre Sol
Se Durmo em quarto crescente
by Wania Victoria



