Busquei a essência do teu grito
Inaudível ao meu ouvido
Buscavas a amiga invisível
Busquei a pureza do pássaro
Que ascende em direção ao céu
Buscavas a companheira silenciosa
Era primavera, havia névoa e véu
Mirse Souza
in Meu Lampejo
SIM PLES MENTE POESIA
Busquei a essência do teu grito
Inaudível ao meu ouvido
Buscavas a amiga invisível
Busquei a pureza do pássaro
Que ascende em direção ao céu
Buscavas a companheira silenciosa
Era primavera, havia névoa e véu
Mirse Souza
in Meu Lampejo
Ela já não chora mais...
Seus olhos sempre marejados
Não verte a lágrima precisa.
Acha que a vida não vale nada
E segue em passos apressados
tentando antecipar a reta concisa
para decerto converter em óleo,
sagrado, a lágrima que cairá furtiva.
Se houver tempo...
se houver premissa.
by Mirse Souza
Lena Gal: Terra de brisa perfumada
Que mulher jamais aturou
reclamação de chefe mal humorado,
cantada de bêbado atormentado,
bronca de motorista mal educado
ou ciúme doentio de um namorado?
Que mulher nunca sentiu dor
do bife tirado da cutícula,
de cotovelo, parto mental,
por ter feito papel de ridícula
ou pelo fim do caso virtual?
Que mulher jamais ocultou
lágrimas de felicidade,
a sua verdadeira idade,
excesso de adiposidade
ou passar fome por vaidade?
Que mulher nunca teve que dar jeito
numa meia desfiada,
numa amiga bandida,
numa relação falida
ou numa unha lascada?
Que mulher jamais se culpou
pelo filhinho na escola menosprezado,
pela atitude do namorado safado,
por não ter ficado com o bico calado,
por bisbilhotar o celular do amado?
Que mulher nunca
quis vir monge na próxima encarnação,
nem clamou estar farta de chateação?
Lá no fundo, pronta pro que der e vier
sente orgulho por se chamar Mulher.
by Maria Paula Alvim
Indicação de leitura:
Psique - Maurice DenisSempre vítima e ludibriada,
assim é a mulher até o presente
Desde a expulsão do Paraíso
Desde os tempos de Dionísio
É ela a chaga, a presa, a impura
Psique, linda, inocente e pura
Ultrapassa a barreira, ascende,
Acende a lamparina para ver,
quem o adorado, quem o amado!
E pela ousadia que transcende
foi levada à morte. Deixa a vitória.
Da vida aos céus, foi sua sorte
A mitologia deixa no mundo
esse perfil desumano, insano
onde a mulher em sua maioria
lidam com essa dita, bendita
maldita, mas real em autoria
O tempo foi fiel ao mito, infiel
à mulher, se é o homem o bendito
O tempo, seu aliado, entorna o fel
na mulher, na amada, no doce sabor
da vida.Tempo não é mel nem licor de.
Sonhei que dançavas comigo
Como se presa fosse, ao desejo
De enlaçar-te no doce sabor
Que a dança se faz no ensejo
O ritmo, não mais importa
O coração a bater, abre a porta
No frenético ritmo de estar
Colada ao teu corpo, te abraçar
Conduz meu corpo com tem calor
Sigo a trilha que mais te agradar
Vem, dança comigo, só essa vez
Pode ser a última dança,... talvez
Hoje, 26 de julho, a Blogosfera tem grande motivo para comemoração: é o aniversário de nossa querida amiga e poetisa Mirse Souza.
Mirse Souza – residente na cidade do Rio de Janeiro, mulher, esposa, mãe, avó, profissional em contabilidade - é uma das vozes poéticas femininas mais atuantes na Web. Além de publicar, diariamente, em seu espaço poético “Meu Lampejo”, a poetisa mantém sempre atualizadas as visitas e os comentários aos blogs dos amigos poetas, incentivando a todos os que se lançam à produção literária. Ademais, Mirse oferece contribuições em mais dois espaços literários: O gato da Odete e, aqui, no Maria Clara: simplesmente poesia.
A voz poética de Mirse Souza se destaca pela fusão entre paisagens da memória, onirismo e espiritualismo. Realismo, sonho e transcendência se interpõem em suas linhas; onde, por vezes, se evidencia um certo descontentamento temporal presente, mas, simultaneamente, um crescente otimismo na redenção da palavra.
De forma equivalente à obra inacabada de Mondrian, Mirse Souza monta o mosaico de sua criação poética. De poema em poema, as idéias e os estados emotivos da autora vão oferecendo forma a sabores, tons e conteúdos linguísticos. Essa realidade demonstra uma sensibilidade imagística e técnica em evolução contínua e aponta para a visão holística da autora que aglutina uma diversidade de contextos e, ao mesmo tempo, se refaz ao nascer de novo dia.
Tais qualidades contribuem para remeter o leitor à reflexão das coisas transitórias da existência humana e abre perspectivas para a contemplação profunda dos mistérios que permeiam a eternidade: a alma.
Em seleta de textos extraída do blog pessoal da poetisa, o leitor pode observar algumas das características então mencionadas de sua criação poética. Passemos à voz [inacabada] de Mirse Souza:
Quando criança, em meio a dúvidas
Sempre achava que sabia. Tudo!
Pensava que sabia dos ruídos,
Dos amigos, das rosas, do dinheiro,
Dos silêncios, daquele vazio que sentia...
Só agora, no outono da vida aprendi
Que quanto mais procurava, menos sabia
Agora eu sei que no dia em que alguém
te ama faz um tempo muito bonito
Permeia o mundo uma extrema candura
Assim a gente esquece noites de tristeza
Mas jamais esquece uma noite de ternura.
Agonizo a contento,
a hora de terminar
o implacável tempo.
Absorta no silêncio, vejo.
A essência do que se foi,
o tempo não transporta
Sou a lágrima furtiva,
o engano em forma de vida
Da fotografia, sou o negativo
Na natureza, sou o desvio,
Não sou sombra, sequer o abrigo
Do destro, sou a mão esquerda
Na companhia, sou a ausência
Das palavras, sou o silêncio
Sou o ápice da dor
Sou o espinho que feriu
em forma de coroa, o Criador
Sou a mãe que não vingou
Borboleta sem cor
Perdida num mundo
Imundo de Amor?
Sou a obra inacabada
De Mondrian,
Sou o que ele não acabou.
Mirse, querida amiga e poetisa,
receba os sinceros cumprimentos de respeito, afeto e admiração de todos os que fazem o Maria Clara: simplesmente poesia.
Muitas Felicidades: hoje & sempre. Parabéns!

Adrianna Coelho
desde que sinto esse aperto
o ar rarefeito
essa sede e essa fome
incessantes
(e o inalcançável tão perto)
meus poemas não são
de amor:
são de tântalo
Solange Maia
Há um açude em meu peito.
E um dique na minha cabeça.
Em meu peito tem um tanto de amor retido, acumulado, um amor que quer ser dado, ser entregue, ser consumido. Que é terreno fértil, úmido, que é um guardado para ser vivido com alguém muito especial, que é feito água vertendo sem parar, querendo inundar, querendo preencher...
Em minha cabeça há uma determinação lógica que quer manter um pouco de terra seca, que luta para controlar esse tanto de amor fluente, que armazena com a intenção de não faltar, que resiste bravamente às enchentes, e que é a antítese da minha vontade, mas que tantas vezes me permite não afundar.
Mas de uns dias pra cá descobri uma fenda.
E ela tem escorrido mais do que devia...
In: Eucaliptos na Janela
Mirse Souza
Se o amor assim me chegasse,
Quisera fosse intenso...
Rasgando almas, denso
Daquele amor que escandaliza
Como o de Abelardo e Heloísa.
In: Meu lampejo
Úrsula Avner
Aproximou-se de mim com serenidade
como um sopro de brisa primaveril
tocou minha face sem fazer alarde
acendeu em meu peito o pavio
tateou suas mãos orvalhadas
pelo meu corpo já cambaleante
sussurrou palavras de amor adornadas
com respiração ofegante
Chamou-me amada de minh´alma
envolveu-me em seus braços com surpreendente calma
lançou-me o olhar do desejo em estilhaços
refletido em espelhos do brilho aveludado
dos crisântemos vermelhos