
Arte:
RenoirGostaria de ter a engenhosidade métrica de João Cabral,
Ou proclamar pedras e a natureza como Manoel de Barros.
Um pouco de sensualidade, também não me faria mal
Inspirar em meus poemas as inquietações de Clarisse
Voltaire, Bachelar, Balzac, Pessoa, Mário de Andrade...
No entanto, seria apenas um sonho a se tornar realidade.
Talvez pudesse cantar estrelas, invadir o mar com rosas
Ter em mim um pedacinho que fosse de Guimarães Rosa.
Mas simples em meu dizer, contradigo o reverso e vivo
No adverso do eu que pretendia ser, como uma pedra
Que dilata a solitude, a tristeza e ofusca a luz , onde crivo
Poemas que crio e revejo o que não queria dizer e digo.
Creio em mim como um ser nativo no mar, mas ainda
Envolta em concha, teima em não abrir e arder à palma.
Em metáforas, metonímicas, na semântica que fico a dever
àqueles que meus versos lêem e só encontram uma alma
que ao escrever um poema, acalanto ou prosa, acalma
o espírito, que existe na poeira cósmica de um centrado ser,
Que foi vivendo, e mesmo lendo, chorou e emudeceu.
Me comovo demais e me perco de mim. Assim sou eu.