Imaginário

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Dancing Trees - Igor Zenin
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Postagem Simplesmente Poesia (4)


luz & cinzas
em
quando virou borboleta




ontem, embriagado,
queimei os meus poemas
[e no fogo
as metáforas fizeram-se belas
em luz e cinzas].
seria, pensei, libertar-me da âncora
das nossas memórias. ledo engano.
aqui estou agora resgatando-as.
para mim. exclusivamente para mim.
de você não sei sequer se vive,
além da que morreu
quando virou borboleta.


Fred Matos in: Anomalias (2002).


Para leitura integral do poema,
dirija-se ao Nas horas e horas e meias.


Notícia de jornal


Procura-se, urgentemente,
uma imagem súbita
algo que possa ser notícia de jornal.

Uma fada fujona
aquela que se perdeu
nos atoleiros do Pantanal.


Procura-se um objeto
não-identificado: Submarino,
Ovni ou Cavalo Alado.

Um ser famigerado
preso no porão ou no sótão
empoleirado.


Procura-se por um Eu
alguém que saiu de casa
e do corpo se esqueceu...

Uma falsa promessa:
conto de fada
bruxa má
moça enfeitiçada
fé sem reza...


Procura-se qualquer coisa dessa,
quem souber localizar
por favor entregar:
rua do Lobo,
número Alvoroço,
bairro Descoberta!


Procura,
..............se...


Hercília Fernandes, in: HF diante do espelho
28/11/07.


Postagem Simplesmente Poesia (3)

cilada
por Lau Siqueira



comungo com as pequenas coisas
com o que mergulha no sumidouro
das horas mortas


também com as flores miúdas
que harmonizam o jardim e

com abelhas que somem

no invisível...


A palavra escrita deve ser sempre produto de algum tipo
de lucidez. Mesmo quando imersa na embriaguês suave
do efeito abstrato.

(Lau Siqueira)


Para continuar a leitura do post, grite:
Poesia Sim!


P A L A V R A




Transcendem sentimentos




No limitado recurso da palavra.




Descerra-se então, em pauta




O sopro de um pensamento.




Há mais presença em mim




Na palavra que me falta.




Nela deposito sonhos,




sons e cores enfim.




A palavra que me falta,




é aquela que habita em mim.



Postagem Simplesmente Poesia (2)


per augusto & machina

Romério Rômulo no Portal Cronópios


augusto e máquina se arranham
na última dose atormentada
do corpo. a válvula é entranha.
até a amargura é mutilada.

...................................................(augusto e máquina)


Líria Porto: a poeta do mar e da lua nas minas gerais

Tela: A menina do mar e da lua


Azuis

uma história triste
derramou o mar
nos olhos de clara

para consolá-la
precisei bordar
mil lençóis d'água

by Líria Porto


de toca

a lua girou no céu
um tanto godê brancura
parecia rosa aberta
pura seda na cintura

(pena - o sol dormia)

as pernas alvas da lua
tão saborosas carnudas
estampavam-se no escuro
e despertavam libido
e provocavam arrepios

(pena - o sol dormia)

os santos mais piedosos
os anjos mais pudorosos
enchiam de água a boca
enquanto a lua sorria
flutuava esplendorosa
cheiro seu em quase tudo

(pena - o sol dormia)

by Líria Porto

sensibilidad

quem nascesse sem olhos
ou privado de luz
teria que saber do mundo
por outros sentidos

seria capaz de perceber a beleza
o perfume
a textura do azul?

poderia entendê-lo
ao ouvir um blue?

by Líria Porto

lavai

tal qual um menino
procura brinquedos
lá vai o poeta
a tinta as letras

tal qual passarinho
no uso das asas
lá vai o poeta
o voo as palavras

tal qual a canoa
por cima do rio
lá vai o poeta
o remo a rima

tal qual marinheiro
no rumo do mar
lá vai o poeta
a barca o navio

tal qual lavra_dor
na lida da terra
lá vai o poeta
a enxada a caneta

lavai

by Líria Porto

ladainha

faço verso rastejante
igual cobra no papel

faço verso flutuante
passarinho lá no céu

faço verso comprimido
fechado dentro do frasco

faço verso assim ridículo
acostumado ao fiasco

faço verso bem florido
nascido em pleno setembro

faço verso esquecido
o jeito dele nem lembro

faço verso galopante
como visita de amante

faço verso des'tamanho
coração de minha mãe

faço verso
faço verso
faço verso

by Líria Porto


  • Conhecendo um pouco mais de Líria Porto:


.......Líria Porto é poetisa e professora em Minas Gerais. Atualmente, reside em Belo Horizonte. Em seu espaço na Internet tanto mar, a autora poetiza suas origens, se autodefinindo: erva daninha: de araguari transplantei-me para belo horizonte e espalhei raiz.


  • Para ler mais:


Blocos Online

Varanda das estrelícias



Meu Sertão

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Por-do-sol no Sertão by Kalila Pinto


naquela terra árida
jazia uma semente
regada quase sempre
à lágrima curtida

mal sabia eu
que no céu floria
em divina sintonia
flor de mandacaru

meu sertão, preso na garganta
enquanto dura a pena
pare versos


Lou Vilela

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* Publicado originalmente em 20/12/08 no blog da autora.

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