Poeira Cósmica

Arte Augusto Lima




Divagoemcomoeraamassacósmicaquehavia
antesdeviraomundonumabismodesconhecido
umsercomum. Numplasmanostálgiconascia
E procurava luz, vazio e silêncios quase nus

Cresci pensando e formando poemas
azuis.



Ao pé da letra

Underground

um urro único
ultrapassa umbrais,
ulcera úvulas,
urge

um uivo último
ultraleve, ultrassônico
usurpa ultramares,
ultima

um ulo unívoco
une umbigos,
universaliza usos,
urde utopias

usufruto, uai.

* * * * * * * *

sequela

consequência tinha trema
quando ele se foi, sequioso
tremi

na sequência
sigo só
ô sequidão

* * * * * * * *

tentação

Teresa não-me-toques
torce o terço:
tanto tato, tanto tino,
tanta trava...
ô tristeza!

Tire o atraso, Tetê
tempo é tudo
destempere,
atreva, tropece

Se toque.

* * * * * *

Gênese da escrita



versos ralos
lacônico poema
aqui e ali
saltitam palavras
carpidas burlescas

- miscigenação -

algum eflúvio
de rima
no ar

lira exumada


Úrsula Avner

* imagem disponível no google - sem informação de autoria.

Feliz Ano-Novo

É com o canto que me espias
Com uma lente côncava esperando a outra convexa
Um sol por nascer.
É só quando o caminho filtrar as cores
Que o desconhecido se abrirá.
O ano é novo ainda
A foto não secou.
...mas é com a retina que prefiro refletir.

Um 2010 muito colorido a todos!

Múltiplos cais

.


Anagrama, 1973 - João Vieira




Soube-te,
desde o primeiro olhar, oceano:
alumbramento,
perdição.

Sim, soube-te!
boca, tato, narinas,
múltiplos cais.

Duo, ouvidos,
referência em signos.
Lunáticos sentidos,
mananciais.

Eu, bicho do asfalto,
quedei-me, esquisito,
entre flores e atos,

estrelas, afins.
Refiz o caminho,
anagramas per versos,
aceso estopim.



Lou Vilela in Nudez Poética


.
Arte de Milo Manara, 1997.

em lugar de carta
nina rizzi

choro meus dedos, que cheiram os teus.
de saber tuas unhas de cor, salteadas.

fecho os olhos de insônia, ânsia.

que passar as noites ao teu lado,
saiba, foir perene verdade.

(pra o antigo alexandre)
*

saltos & anéis


Passei os dias

sem consultar astros e anais

sem rever afáveis linhas

sem colar e degolar figurinhas

sem usar saltos e anéis.


Passei os dias

sem admirar postais

sem chover caleidoscópios

sem mentir que nem Pinóquio

sem lavar mãos e pés.


Passei os dias

alimentando pausas

nas entrelinhas: hi ber nan do...


by hercília fernandes


passei os dias

com saudade

de sua poesia


passei os dias

com cheiro de barro

com terra entre as unhas

sem nenhuma grandiloquência

sem nenhum excesso


passei os dias

entre sorrisos mútuos

a experimentar os lábios

nas palavras iorubás


passei as noites

a contar estrelinhas

a descobrir reticências

a destituir pontos finais


passei aqui

para me saciar

neste salto

em que anelo

o meu olhar


by fernando cisco zappa




2009 consistiu solo fecundo à atividade poética. Alguns poemas existentes em o HF diante do espelho motivaram olhares e novas composições; como os versos, in resposta, do poeta mineiro Fernando Cisco Zappa ao texto “Saltos e anéis”.

Aproveito o post para agradecer a todos os poetas e poetisas da Blogosfera pelas interações vivenciadas neste ano e desejar que 2010 nos chegue ainda mais abundante em imagens, versos e múltiplas criações.

Feliz 2010 a todos e todas!

Névoa


Busquei a essência do teu grito

Inaudível ao meu ouvido

Buscavas a amiga invisível

Busquei a pureza do pássaro

Que ascende em direção ao céu

Buscavas a companheira silenciosa

Era primavera, havia névoa e véu



Mirse Souza

in Meu Lampejo



*Imagem disponível no Google.