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Sacerdotisa

Nasci com hábitos
de coruja.
Minha garatuja
continha estrelas.
Sozinha,
ergui um templo.
A exemplo do sol,
persegui o equinócio.

Entre o fogo e a água,
sempre fui a brisa.
Pelo poder da palavra,
escolhi-me poetisa.
Não seria
a poesia
um sacerdócio?


Renata de Aragão Lopes


Imagem: arcano A Sacerdotisa, de O Tarô Encantado,
de Amy Zerner e Monte Farber, Editora Siciliano.

* Simplesmente azul *


há um azul abstrato
que se deita na claridade
ora discreto cordato
ora repleto de vaidade

azul que lateja entre estrelas
sobeja no mar á luz do sol
azul da chama de muitas velas
da luz que emite o farol

o azul das veias constrange
em dias azulados de inverno
um olho azul petrifica o instante
o corpo azulado fica quente e terno

a pétala azul é poliglota
a geleira azul da montanha o sabe
o azul do jeans que desbota
cobre as águas em contornos de ave

a língua azulada saliva
o amor que ficou no azul
do tempo do breve momento
do vagão que leva hálito sedento

É azul a cor de dentroCor do texto


Úrsula Avner

* imagem do google- sem informação de autoria