Quer dançar comigo?




Renoir: imagem Google


Sonhei que dançavas comigo

Como se presa fosse, ao desejo

De enlaçar-te no doce sabor

Que a dança se faz no ensejo


O ritmo, não mais importa

O coração a bater, abre a porta

No frenético ritmo de estar

Colada ao teu corpo, te abraçar


Conduz meu corpo com tem calor

Sigo a trilha que mais te agradar

Vem, dança comigo, só essa vez

Pode ser a última dança,... talvez



Paisagens & Perspectivas do Maria Clara: simplesmente poesia


Mulheres no Jardim

Claude Monet



Todas as prendas que me deste, um dia,

Guardei-as, meu encanto, quase a medo,

E quando a noite espreita o pôr-do-sol,

Eu vou falar com elas em segredo...


Mas de todas as prendas, a mais rara,

Aquela que mais fala à fantasia,

São as folhas daquela rosa branca

Que a meus pés desfolhaste, aquele dia...


Duas estrofes de Folhas de Rosa,

Florbela Espanca.



Como é do conhecimento da maioria dos nossos leitores, o blog Maria Clara: simplesmente poesia tornou-se Projeto de Poesia Feminina idealizado por Hercília Fernandes, em razão dos estudos voltados à compreensão do fenômeno criador, particularmente do universo poético feminino. E conta com a preciosa colaboração de mais duas vozes poéticas da Blogosfera: Mirse Souza e Lou Vilela.

O maior objetivo do espaço é promover a interação entre autores e textos, de modo a viabilizar, para um futuro próximo, um livro coletivo composto com as escritas das poetisas atuantes no espaço - sejam colaboradoras diretas e/ou convidadas.

Tendo em vista a boa receptividade da proposta e, sobretudo, das composições, o Maria Clara irá introduzir algumas mudanças em seu espaço. O blog permanecerá semanal, porém será composto por “oito” vozes que se distribuirão em duas postagens por semana, sempre as segundas e quintas-feiras. A cada semana será introduzida uma nova colaboradora para compor o espaço conjuntamente às poetisas já existentes.

Além das novas aquisições, o quadro “Postagem Simplesmente Poesia” se ampliará, tornando-se postagem permanente, cuja finalidade é sugerir leitura, preferencialmente de voz poética masculina. O quadro é assinado por Maria Clara - personagem-título do blog - e consistirá programação de sábado.

Considerando as informações apresentadas, convidamos a todos os leitores a irem acompanhando, semanalmente, a introdução das novidades, especialmente através da apreciação das escritas poéticas das vozes femininas que passarão a integrar o Projeto.

Um abraço em todos os Amigos que visitam o Simplesmente Poesia,



Hercília, Mirse e Lou

(Amigas da Maria Clara).


A poética [inacabada] de Mirse Souza


Hoje, 26 de julho, a Blogosfera tem grande motivo para comemoração: é o aniversário de nossa querida amiga e poetisa Mirse Souza.

Mirse Souza – residente na cidade do Rio de Janeiro, mulher, esposa, mãe, avó, profissional em contabilidade - é uma das vozes poéticas femininas mais atuantes na Web. Além de publicar, diariamente, em seu espaço poético “Meu Lampejo”, a poetisa mantém sempre atualizadas as visitas e os comentários aos blogs dos amigos poetas, incentivando a todos os que se lançam à produção literária. Ademais, Mirse oferece contribuições em mais dois espaços literários: O gato da Odete e, aqui, no Maria Clara: simplesmente poesia.


A voz poética de Mirse Souza se destaca pela fusão entre paisagens da memória, onirismo e espiritualismo. Realismo, sonho e transcendência se interpõem em suas linhas; onde, por vezes, se evidencia um certo descontentamento temporal presente, mas, simultaneamente, um crescente otimismo na redenção da palavra.

De forma equivalente à obra inacabada de Mondrian, Mirse Souza monta o mosaico de sua criação poética. De poema em poema, as idéias e os estados emotivos da autora vão oferecendo forma a sabores, tons e conteúdos linguísticos. Essa realidade demonstra uma sensibilidade imagística e técnica em evolução contínua e aponta para a visão holística da autora que aglutina uma diversidade de contextos e, ao mesmo tempo, se refaz ao nascer de novo dia.

Tais qualidades contribuem para remeter o leitor à reflexão das coisas transitórias da existência humana e abre perspectivas para a contemplação profunda dos mistérios que permeiam a eternidade: a alma.

Em seleta de textos extraída do blog pessoal da poetisa, o leitor pode observar algumas das características então mencionadas de sua criação poética. Passemos à voz [inacabada] de Mirse Souza:




Candura



Quando criança, em meio a dúvidas

Sempre achava que sabia. Tudo!

Pensava que sabia dos ruídos,

Dos amigos, das rosas, do dinheiro,

Dos silêncios, daquele vazio que sentia...

Só agora, no outono da vida aprendi

Que quanto mais procurava, menos sabia

Agora eu sei que no dia em que alguém

te ama faz um tempo muito bonito

Permeia o mundo uma extrema candura


Assim a gente esquece noites de tristeza

Mas jamais esquece uma noite de ternura.



Manhãs de tempo



Agonizo a contento,

a hora de terminar

o implacável tempo.


Absorta no silêncio, vejo.

A essência do que se foi,

o tempo não transporta

do agora para o depois.



Auto Retrato



Sou a lágrima furtiva,

o engano em forma de vida

Da fotografia, sou o negativo

Na natureza, sou o desvio,

Não sou sombra, sequer o abrigo

Do destro, sou a mão esquerda

Na companhia, sou a ausência

Das palavras, sou o silêncio

Sou o ápice da dor

Sou o espinho que feriu

em forma de coroa, o Criador

Sou a mãe que não vingou

Borboleta sem cor

Perdida num mundo

Imundo de Amor?

Sou a obra inacabada

De Mondrian,

Sou o que ele não acabou.



Mirse, querida amiga e poetisa,


receba os sinceros cumprimentos de respeito, afeto e admiração de todos os que fazem o Maria Clara: simplesmente poesia.


Muitas Felicidades: hoje & sempre. Parabéns!



Ainda carnaval

.
O Carnaval de Arlequim - Joan Miró.



O luxo e o lixo

compõem a fantasia

do folião mascarado


As sapatilhas puídas

enquanto o baile não finda

exibem seus passos


Nostálgica alegoria:

a vida se esvai

em ritmo de frevo

num baile de carnaval




Lou Vilela in Nudez Poética



.

Renúncia


Cortarei as asas das borboletas

para que fiquem imóveis.

Para que não pousem levianas,

fazendo ciranda, em alheios móveis.


Cortarei as asas das borboletas

para que não percam a cor e a beleza.

Para que não busquem néctar nas flores;

para que não vivam por vãos amores.


Cortarei as asas das borboletas

para que definhem até a morte

para que mudem seu destino, sua sorte.


Cortarei as asas das borboletas

para que morram sentindo as dores

pela ausência que jaz, o néctar das flores.




by Hercília Fernandes

in: Retrato de Helena, 2005.

Arte disponível no Google Imagens.



O MENINO E A BORBOLETA




Arte: Reynaldo Fonseca



Parecia um anjo

Era uma criança: comia estrelas, sonhava canção

Algo familiar. Algo especial.

Percebi, no ar, então que era o filho do meio

E por não ter os privilégios do primogênito,

Nem do caçula, ele bebia ternura.

Sua mãe deixou-lhe uma marca peculiar

Dessas que só as mães sabem quanto...

Na sua mão direita, com muito amor,

Carrega a marca que a mãe deixou:

Uma borboleta viva que pode até voar,

Mas não voa pelo saber dos dois

Mãe e filho a se amar.





Lourdes Nicácio e a arca do fim do mundo



Dilúvio



Agora vives

a construir um barco

Arca de fim do mundo.


Não vês

que o dilúvio

está em ti


que te arrebatas

em ondas

para o além de ti mesmo?


Quando não mais

te alcançares

em grãos de areia


ou terra

aqui

as sementes voam

desde as raízes


Quem te substituirá

na festa de Deus?


Desarma-te



by Lourdes Nicácio.




Breve Biografia:



Lourdes Nicácio - Maria de Lourdes da Silva - é sertaneja de Belém do São Francisco-Pernambuco. Possui formação em Letras e Pós-Graduação em Língua Portuguesa. Além de professora, editora, escritora, a poetisa é membro da Academia Recifense de Letras e da União Brasileira de Escritores-UBE/PE. Ao longo de sua carreira, Lourdes Nicácio recebeu vários prêmios e homenagens por diversas instituições. Participou de várias antologias e publicou 11 livros, alguns adotados por escolas pernambucanas. Atualmente, a poetisa difunde o seu recente livro: O lavrador e o templo, cujo espaço poético na Internet leva o título.



Para conhecer a sua obra:

  • Ritmo das águas vivas



*Imagens disponíveis no blog da autora.


Postagem Simplesmente Poesia (5)

Chegando ao fim do mundo

arte de Vanessa Azevedo



Manifesto: o que não precisamos

Fernando Cisco Zappa



não precisamos de bandidos

não precisamos de guerras

não precisamos de ódio

não precisamos de metalúrgicos

não precisamos de pedagogos

não precisamos de sociólogos


não precisamos de faustão nem sílvios nem santos

não precisamos ficar parados diante da tv contando o tempo para o fim

não precisamos mais dizer que isso é assim sempre assim e será assim

não precisamos ficar repetindo sempre repetindo as mesmas e mesmíssimas palavras


o planeta não precisa dos humanos

não somos nada precisos

temos tudo isso e o desperdício


amor é amor

estamos perto do fim



*leia in te gral mente o texto em:

Cisco Zappa: nas ciclovias insurgentes e brincriativas.