Chorinho

O bandolim tem uma tristeza que chora
se eu choro, não sei se no mesmo tempo
com uma intensidade resvalo
minha identidade num instrumento

tudo o que toco, desafina
não se aproxime, pois
do meu tocar que não é de lira
nem cítara, nem penar
não dou tanta corda
se o faço é para te ver dançar

na lamúria das suas pausas
nas notas da minha agonia
dedilho miudinho, e eu vou
na orquestra sem maestria
diminuindo.

pra não prevaricar

Menina sem-terra, de Sebastião Salgado

nina rizzi

eu quero a poesia de unhas roxas de terra
dos sem-terrinha, mais pagagens que visagens.
da reintegração de posse: nossa história,
nós sujeitos a arremates, quiçá solturas.

o texto que grita o corpo meu e dele gasto
o que quiser, gosto, desinvasão.

ninsense, resoluta, ri-se
em ode, batê-lata, bicicletada:

os meus anéis, alegres, soturnos, te vão
feito de recuerdos, doces anelos mais que imposturas.

como aos colares, raimbows de nossa liberdade
(ou ao que disso cremos).

o meu poema é pra salvar menino.

(e menina também.)
*

Poesia na série "Coração-balão"




não apraz vencer prazo
por isso vou...
nem premeditar acaso
pássaro é voo
dentro nau ainda é frágil
mas existem outros
................................mares
portos
.................arrecifes...


***

A chama subverte...
Desfaz lógica, poesia-ação.
Temo ser vão...
Fácil voar se leve coração.

Leio seu nome...
vertem balões em versos.




Se vão os brincos...
................................vão comigo.
Não contradigo jogos de sentido
choro, rio, trinco!...


***

alcançamos o fundo
encontramos nada
nada talvez intrigue
tudo em nós

acima, flutuam estrelas...



Amanda Cass e a série “Coração-balão”

.........Amanda Cass nasceu em Auckland, Nova Zelândia, porém reside em Marlborough. É uma artista bastante criativa que se dedica à pintura em acrílico, arte digital e fotografia.
.........As artes que compõem esta postagem integram a série “coração-balão”. Na série, a artista se inspira no amor, na liberdade dos sentimentos e ações, na própria vida.
.........A personagem que acompanha as pinturas é uma menina que vê o amor em todos os lugares por onde anda. Sua alma é lúdica, poética, livre... como os pássaros que a seguem e os balões que flutuam em seus sonhos.



*Texto extraído de artigo, de minha autoria, intitulado “Pelo sim, pelo não: poesia-balão!”. Disponível, aqui, em o Maria Clara.
** Poemas disponíveis em o HF diante do espelho.


Sobre... viver


Imagem sem autoria




Mesmo que a tristeza me cerque...

[em ilha]

Mesmo que a barca do último resgate leve apenas um


A esperança nunca naufraga em mim



by Wania Victoria





CÓDIGO DA VIDA

desenho em carvão/rafael godoy


SE LEONARDO DÁ VINTE
PEDRO DÁ DEZ
MIGUEL DÁ CINCO
VOCÊ NÃO DÁ NADA!

QUE TIPO DE HOMEM
PENSA QUE É?
VAI DAR COM OS BURROS N'ÁGUA!
MISERÁVEL, FILHO DA PUTA!

Sobrei

Iman Maleki


Meu amigo me esqueceu

Ele é invisível como eu

mas conversamos, brincamos..... e,

em inaudíveis vozes nos encontramos

Conversamos, porque sozinho,

não tem graça jogar aviãozinho

meu amigo esqueceu que é invisível

como eu. Seu nome muda conforme o dia

à noite contamos medos e agonias,

mas agora que ele me esqueceu...

sobrou-me eu.



Dias das mães (dos filhos)



Filho,

de todos, você é
meu melhor poema.

O único pronto, acabado,
de que não tiraria um ponto sentado,
uma exclamação em salto ou mesmo um trema.

Você é a poesia de que fiz a caligrafia em papel de seda...

A única que diz o que há bem lá no ventre de mim
e que carrega, assim, em voz entonada,
minha maior interrogação:

_ A vida seria em vão?
Pelo não, obrigada,

filho!



Renata de Aragão Lopes


Soneto blavino publicado no Doce de Lira,
em homenagem ao dia das mães,
em 7 de maio de 2009.

Fotografia minha.