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Dias das mães (dos filhos)



Filho,

de todos, você é
meu melhor poema.

O único pronto, acabado,
de que não tiraria um ponto sentado,
uma exclamação em salto ou mesmo um trema.

Você é a poesia de que fiz a caligrafia em papel de seda...

A única que diz o que há bem lá no ventre de mim
e que carrega, assim, em voz entonada,
minha maior interrogação:

_ A vida seria em vão?
Pelo não, obrigada,

filho!



Renata de Aragão Lopes


Soneto blavino publicado no Doce de Lira,
em homenagem ao dia das mães,
em 7 de maio de 2009.

Fotografia minha.

O MENINO E A BORBOLETA




Arte: Reynaldo Fonseca



Parecia um anjo

Era uma criança: comia estrelas, sonhava canção

Algo familiar. Algo especial.

Percebi, no ar, então que era o filho do meio

E por não ter os privilégios do primogênito,

Nem do caçula, ele bebia ternura.

Sua mãe deixou-lhe uma marca peculiar

Dessas que só as mães sabem quanto...

Na sua mão direita, com muito amor,

Carrega a marca que a mãe deixou:

Uma borboleta viva que pode até voar,

Mas não voa pelo saber dos dois

Mãe e filho a se amar.