Sobre... viver


Imagem sem autoria




Mesmo que a tristeza me cerque...

[em ilha]

Mesmo que a barca do último resgate leve apenas um


A esperança nunca naufraga em mim



by Wania Victoria





CÓDIGO DA VIDA

desenho em carvão/rafael godoy


SE LEONARDO DÁ VINTE
PEDRO DÁ DEZ
MIGUEL DÁ CINCO
VOCÊ NÃO DÁ NADA!

QUE TIPO DE HOMEM
PENSA QUE É?
VAI DAR COM OS BURROS N'ÁGUA!
MISERÁVEL, FILHO DA PUTA!

Sobrei

Iman Maleki


Meu amigo me esqueceu

Ele é invisível como eu

mas conversamos, brincamos..... e,

em inaudíveis vozes nos encontramos

Conversamos, porque sozinho,

não tem graça jogar aviãozinho

meu amigo esqueceu que é invisível

como eu. Seu nome muda conforme o dia

à noite contamos medos e agonias,

mas agora que ele me esqueceu...

sobrou-me eu.



Dias das mães (dos filhos)



Filho,

de todos, você é
meu melhor poema.

O único pronto, acabado,
de que não tiraria um ponto sentado,
uma exclamação em salto ou mesmo um trema.

Você é a poesia de que fiz a caligrafia em papel de seda...

A única que diz o que há bem lá no ventre de mim
e que carrega, assim, em voz entonada,
minha maior interrogação:

_ A vida seria em vão?
Pelo não, obrigada,

filho!



Renata de Aragão Lopes


Soneto blavino publicado no Doce de Lira,
em homenagem ao dia das mães,
em 7 de maio de 2009.

Fotografia minha.

* visão de mundo *



arte:  flying to the liberty

by: Mel Gama


eis que piso estranho chão

terra, pedra, cimento
caminho de ermitão

nas estradas sigo atenta
conduzo risos e ais
até que o anjo toque a trombeta

o ser humano nasceu pois digo
para estar só

a solidão é um estar consigo
até que se condense o pó

conviver é apenas subterfúgio

na solidão o ser percebe-se inteiro
conhece a si mesmo e se escuta
percorre sombras atrás do luzeiro

a multidão é campo de refúgio

quando por fim
jogarem ao mar
sobras da vida enclausurada
na urna do que fui

aglutinarei a outros segredos
do que se entendia amar
partículas flutuantes na enseada
fragmentos da perene vida que flui



Úrsula Avner


Da noite da alma

Imagem de Holly Henry

Dedico esse poema à doce Kenia, do Poesia Torta, 
em resposta ao poema #298


Escuta, minh'alma:
sob o véu enegrecido desse silêncio,
sob o breu resplandecente desse céu
a dor - alarmada pela luz
grita! com brados clamantes:
- sou tua!

Agarra-a, não a negues:
não é mentira o que ela diz.
Assume-a como condição
da tua condição.

Apesar dela
e por ela
é que tu és.

E se ela te cobre
e te traz noite,
é para o teu sol de dentro
nascer majestoso na aurora.

Talita Prates


"E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
que me saiba perder... pra me encontrar..."

Pour Adélia

O que me move Adélia
é o lado.
O lado do dia,
da noite que eu lia.
O cavalo alado
a dália
os dedos na luva.Desvira.
O lado da palma da mão
que ladrilha .

O que me move Adélia,
é o lado lúdico da vida
que me Desfia
Desafia.
Meu lado Adélia,
quem dera!

O poeta e a língua

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Através de um diálogo com o poema "língua"
do talentoso poeta Danilo Abreu,
presto uma singela homenagem
aos amigos poetas.



Il poeta.... un libro aperto - Pietro Barbera
acquerello formato 50x70 cm



na boca, sempre algo mais:
a língua que se lhe dis.puta
vogal ressonante ou parasita
propõe, invoca, catalisa
poesia até quando não dita.

aquele que à palavra jaz
en.verga, língua o seu caos;
singra à pele: sua assaz.sina.
formou-se mosca augural,
lambedor de cascas des.feridas.

 

Lou Vilela in Nudez Poética


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