Renascer...


Tela de Madu Lopes



Palavras hibernadas

Sob as neves dos relacionamentos

Adormecidas

Esquecidas

Ar escasso

O que restou de uma vontade

asfixiada pela convicção da dúvida

Respiração difícil

Muitas sucumbiram

À insalubridade das escolhas

Até que um sopro roubou-me o prumo

Nauseou a certeza

E Insuflou-me os quereres

Ergui-me

cavei os olhos

Desenterrei as gargantas

Das palavras cansadas

E com três socos fortes nas costas

Uma a uma, vomitando o silêncio vencido,

Em um único fôlego, rosou

Renasci

Levantaram-se as línguas de fogo

Que escreverão com as minhas cinzas

O que os ventos haverão de propagar


Wania Victoria



Novas participações em o Maria Clara


Arte: Pierre-Auguste Renoir


O maria clara: simplesmente poesia, comemorando um ano de abundante "intersubjetividade poética", tem o prazer de comunicar que estão sendo introduzidas mais “quatro” vozes femininas em seu celeiro virtual, totalizando 12 autoras; cujas atuações dar-se-ão sempre às “segundas”, “quartas” e, agora, “sábados” de cada ciclo poético.

As novas vozes participantes apresentam notória expressividade literária na web, demonstrando em suas composições fortuna imagística, semântica, beleza e múltiplos conhecimentos nos valores expressos.

Os nomes das meninas recém-chegadas, conforme os leitores e as leitoras identificarão, são sinônimos de literariedade. São elas: (por ordem alfabética)


Lara Amaral, do Teatro da vida;

Renata Aragão, do Doce de lira;

Talita Prates, do História da minha alma;

e, Wania Victoria, do Encantaventos.


O maria clara sente-se honrado com a adesão das poetisas e convida os leitores e leitoras a acompanharem as estreias das autoras, mediante especificação do cronograma: (por ordem de adesão)


(23/01 - amanhã): Wania Victoria;

(30/01): Lara Amaral;

(06/02): Talita Prates;

(13/02): Renata Aragão.


Além da participação das meninas no espaço, o maria clara tem vislumbrado uma série de perspectivas para 2010.

O quadro, então existente, “Simplesmente Poesia”, geralmente incluindo voz masculina com apontamentos críticos, será mensal, se realizando sempre a cada fechamento de ciclo poético.

Ademais, vislumbra-se a realização de um sonho, mas isso é uma outra história, requer mais laudas...



Saudações poéticas,

Hercília Fernandes.


apelo

estudo para tela/ desenho de mulher/ rafel godoy



traz para mim os dias que não vivi

todas as noites perdidas

e o sorriso que não tenho mais


vai lá e busca o que me cure

sem que doa ou que arda

apenas que alivie


encontre o que deixei cair na estrada

os poemas esquecidos nas gavetas

e as músicas que não ouço mais


molhe os pés no mar

porque aqui só há montanhas

e jogue uma flor pra iemanjá


deixe seu cheiro espalhado

compre uma garrafa de champanhe

velas amarelas e incensos de baunilha


estou aqui do outro lado e juro

tem uma lua enorme no céu da cidade



by adriana godoy


Poeira Cósmica

Arte Augusto Lima




Divagoemcomoeraamassacósmicaquehavia
antesdeviraomundonumabismodesconhecido
umsercomum. Numplasmanostálgiconascia
E procurava luz, vazio e silêncios quase nus

Cresci pensando e formando poemas
azuis.



Ao pé da letra

Underground

um urro único
ultrapassa umbrais,
ulcera úvulas,
urge

um uivo último
ultraleve, ultrassônico
usurpa ultramares,
ultima

um ulo unívoco
une umbigos,
universaliza usos,
urde utopias

usufruto, uai.

* * * * * * * *

sequela

consequência tinha trema
quando ele se foi, sequioso
tremi

na sequência
sigo só
ô sequidão

* * * * * * * *

tentação

Teresa não-me-toques
torce o terço:
tanto tato, tanto tino,
tanta trava...
ô tristeza!

Tire o atraso, Tetê
tempo é tudo
destempere,
atreva, tropece

Se toque.

* * * * * *

Gênese da escrita



versos ralos
lacônico poema
aqui e ali
saltitam palavras
carpidas burlescas

- miscigenação -

algum eflúvio
de rima
no ar

lira exumada


Úrsula Avner

* imagem disponível no google - sem informação de autoria.

Feliz Ano-Novo

É com o canto que me espias
Com uma lente côncava esperando a outra convexa
Um sol por nascer.
É só quando o caminho filtrar as cores
Que o desconhecido se abrirá.
O ano é novo ainda
A foto não secou.
...mas é com a retina que prefiro refletir.

Um 2010 muito colorido a todos!

Múltiplos cais

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Anagrama, 1973 - João Vieira




Soube-te,
desde o primeiro olhar, oceano:
alumbramento,
perdição.

Sim, soube-te!
boca, tato, narinas,
múltiplos cais.

Duo, ouvidos,
referência em signos.
Lunáticos sentidos,
mananciais.

Eu, bicho do asfalto,
quedei-me, esquisito,
entre flores e atos,

estrelas, afins.
Refiz o caminho,
anagramas per versos,
aceso estopim.



Lou Vilela in Nudez Poética


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