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Era uma vez...



Meu poema
é um tumulto:
a fala
que nele fala
outras vozes
arrasta em alarido

(Ferreira Gullar)




Melhor assim!
Cedo ou tarde
me seria necessária.
Quero um vestido
de manhãs ensolaradas
e sapatos alados.



Naquela noite
serviram-se do melhor vinho da adega.

Era cedo, muito cedo para embriaguês.
E tarde - indiscutivelmente tarde -
para qualquer barulho.

Balbucios distraídos renderam-se
a Baco e a noite, silente e cálida,
pariu suas estrelas, testemunhas
de mundos distintos sem chão.




Espantei os fantasmas
destilei cicuta
um cretino
instigando, dis.puta!


Era tarde, chorei...
exorcismos, re.versos
ao avesso me vi
divino-perverso.


Mergulhei em esgoto
quebrei o mosaico,
uma vida fingida.


Cedo ou tarde, parti...
na mala um uivo
e um punhal
de saudades.



Era uma vez...




Lou Vilela in Nudez Poética
.