cama LEOA

Imagem Internet




Quando o poder aflora
e me vejo numa gaiola
engano o tirano.
De cama leoa, me visto.
num último recurso,

Se viver é arte.....
Sobreviver, faz parte.

Coração



Que fazer com o pingente,
quando a corrente
perde um elo?


Renata de Aragão Lopes

* Canção noturna *



o homem

da rua sem poste

esgueira-se do dia

tatua no corpo

o sol da meia noite

sombra estirada

na lápide do lume


olhos que veem

mãos que apalpam

sem a clarividência do sol

sem o estrondo do cotidiano

o homem da rua sem poste

há de viver cem (sem) anos


Úrsula Avner

* Esse poema foi postado no meu blog há um tempo atrás e hoje resolvi postá-lo aqui no Maria Clara... Um abraço a todos e todas.

Do que preenche

Imagem de Angela

conforta
o abraço
o que a palavra,
com força,
apenas tateia.

Segredo

No caminho já não via as gentes, nem as flores que despertavam, ou a praça com sua fontana de pedras. Nada nesse cenário se fazia poesia. Os olhos sequer seguiam trilha alguma. Exceto a sombra que se escondia atrás das árvores. Se tivesse coragem inventaria um codinome, uma senha.

Mas, ao contrário, perguntei a meia voz: Tem horas?
Nunca soube deixar escapar um segredo.

Indulto

Fauna e Flora Brasileiras, de Cândido Portinari


Ao mergulhar profundidade oceano
O corpo atordoa.


[Minha terra tem coqueiros
E aves de ruma;
Farinha, cuscuz, munguzá;
Folclore, credos, patuás.]

Quando necessário implodo, recomeço.
Visto incansavelmente as peles que me tocam:
Sou uno, sou todos, zé-ninguém
- Sou Poeta!

Ademais, afino-me pelo diapasão dos pássaros.

[Não permita Deus que eu morra,
Sem gorjear.]




Lou Vilela in Nudez Poética
.

Chorinho

O bandolim tem uma tristeza que chora
se eu choro, não sei se no mesmo tempo
com uma intensidade resvalo
minha identidade num instrumento

tudo o que toco, desafina
não se aproxime, pois
do meu tocar que não é de lira
nem cítara, nem penar
não dou tanta corda
se o faço é para te ver dançar

na lamúria das suas pausas
nas notas da minha agonia
dedilho miudinho, e eu vou
na orquestra sem maestria
diminuindo.

pra não prevaricar

Menina sem-terra, de Sebastião Salgado

nina rizzi

eu quero a poesia de unhas roxas de terra
dos sem-terrinha, mais pagagens que visagens.
da reintegração de posse: nossa história,
nós sujeitos a arremates, quiçá solturas.

o texto que grita o corpo meu e dele gasto
o que quiser, gosto, desinvasão.

ninsense, resoluta, ri-se
em ode, batê-lata, bicicletada:

os meus anéis, alegres, soturnos, te vão
feito de recuerdos, doces anelos mais que imposturas.

como aos colares, raimbows de nossa liberdade
(ou ao que disso cremos).

o meu poema é pra salvar menino.

(e menina também.)
*