Poesia na série "Coração-balão"




não apraz vencer prazo
por isso vou...
nem premeditar acaso
pássaro é voo
dentro nau ainda é frágil
mas existem outros
................................mares
portos
.................arrecifes...


***

A chama subverte...
Desfaz lógica, poesia-ação.
Temo ser vão...
Fácil voar se leve coração.

Leio seu nome...
vertem balões em versos.




Se vão os brincos...
................................vão comigo.
Não contradigo jogos de sentido
choro, rio, trinco!...


***

alcançamos o fundo
encontramos nada
nada talvez intrigue
tudo em nós

acima, flutuam estrelas...



Amanda Cass e a série “Coração-balão”

.........Amanda Cass nasceu em Auckland, Nova Zelândia, porém reside em Marlborough. É uma artista bastante criativa que se dedica à pintura em acrílico, arte digital e fotografia.
.........As artes que compõem esta postagem integram a série “coração-balão”. Na série, a artista se inspira no amor, na liberdade dos sentimentos e ações, na própria vida.
.........A personagem que acompanha as pinturas é uma menina que vê o amor em todos os lugares por onde anda. Sua alma é lúdica, poética, livre... como os pássaros que a seguem e os balões que flutuam em seus sonhos.



*Texto extraído de artigo, de minha autoria, intitulado “Pelo sim, pelo não: poesia-balão!”. Disponível, aqui, em o Maria Clara.
** Poemas disponíveis em o HF diante do espelho.


Sobre... viver


Imagem sem autoria




Mesmo que a tristeza me cerque...

[em ilha]

Mesmo que a barca do último resgate leve apenas um


A esperança nunca naufraga em mim



by Wania Victoria





CÓDIGO DA VIDA

desenho em carvão/rafael godoy


SE LEONARDO DÁ VINTE
PEDRO DÁ DEZ
MIGUEL DÁ CINCO
VOCÊ NÃO DÁ NADA!

QUE TIPO DE HOMEM
PENSA QUE É?
VAI DAR COM OS BURROS N'ÁGUA!
MISERÁVEL, FILHO DA PUTA!

Sobrei

Iman Maleki


Meu amigo me esqueceu

Ele é invisível como eu

mas conversamos, brincamos..... e,

em inaudíveis vozes nos encontramos

Conversamos, porque sozinho,

não tem graça jogar aviãozinho

meu amigo esqueceu que é invisível

como eu. Seu nome muda conforme o dia

à noite contamos medos e agonias,

mas agora que ele me esqueceu...

sobrou-me eu.



Dias das mães (dos filhos)



Filho,

de todos, você é
meu melhor poema.

O único pronto, acabado,
de que não tiraria um ponto sentado,
uma exclamação em salto ou mesmo um trema.

Você é a poesia de que fiz a caligrafia em papel de seda...

A única que diz o que há bem lá no ventre de mim
e que carrega, assim, em voz entonada,
minha maior interrogação:

_ A vida seria em vão?
Pelo não, obrigada,

filho!



Renata de Aragão Lopes


Soneto blavino publicado no Doce de Lira,
em homenagem ao dia das mães,
em 7 de maio de 2009.

Fotografia minha.

* visão de mundo *



arte:  flying to the liberty

by: Mel Gama


eis que piso estranho chão

terra, pedra, cimento
caminho de ermitão

nas estradas sigo atenta
conduzo risos e ais
até que o anjo toque a trombeta

o ser humano nasceu pois digo
para estar só

a solidão é um estar consigo
até que se condense o pó

conviver é apenas subterfúgio

na solidão o ser percebe-se inteiro
conhece a si mesmo e se escuta
percorre sombras atrás do luzeiro

a multidão é campo de refúgio

quando por fim
jogarem ao mar
sobras da vida enclausurada
na urna do que fui

aglutinarei a outros segredos
do que se entendia amar
partículas flutuantes na enseada
fragmentos da perene vida que flui



Úrsula Avner