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Dobras do vento


À Mestra M.M. de Araújo, com carinho.



É preciso decifrar sinais

estar atento.


Saber o que apraz

manter-se sereno.


Reunir os galhos

sem mais nem menos.


Estreitar os laços:

a língua, os ais...

as dobras do vento!


(12 nov. 2008)



*Imagem sem indicação de autoria localizada no Google.

Cândida prece


À Mirse Souza





Vagava em névoas quando uma voz, ao longe, ecoou.

Envolvendo-a.

Havia horas de angústia: trilhos, pranto, desespero, horror...

Culpava-se.

Perdera o único filho na estação do metrô. Desgarra-se.

Ninguém o viu. Ninguém mais o sabia...

Sua vista escurece.

Ao longe, uma voz, cândida em sua prece, lhe conduz:

“caminhe à luz”... “siga à luz”...

Cai em sono profundo.

É amparada nos braços do filho que, do outro lado, sabia a esperança.




*Texto composto com base em simbolismos experienciados, ontem à tarde, durante “sono”.

**Imagem extraída do Google sem indicação de autoria.