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Postagem Simplesmente Poesia (15)


por cima de ervas & pedregulhos




ordi(bi)nário


Amavam-se por adição

Na cama subtraíam as diferenças

Dividiam os prazeres

Multiplicavam os gozos


A relação não durou...

Ele se envolveu com a Álgebra

E mudou seu logaritmo


Ela nunca o perdoou por isso

Seu coração ficou partido em frações

Potencializou a raiva por muito tempo

E até hoje não conseguiu extrair a raiz do problema


Wania, in: Encantaventos



amor 4X4


meu coração é 4X4

simples puxadinho em morro

................................................condenado

...........................mesmo quando desmorona

.............................sempre cabe mais um

em vão ensolarado


.............................................amor feijão com arroz...


Hercília Fernandes, in: HF diante do espelho




Camilo quis sinceramente fugir, mas não pôde. Rita, como uma serpente, foi-se acercando dele, envolveu-o todo. Fez-lhe estalar os ossos num espasmo, e pingou-lhe o veneno na boca. Ele ficou atordoado e subjugado. Vexame, sustos, remorsos, desejos, tudo sentiu de mistura; mas a batalha foi curta e a vitória delirante. Adeus, escrúpulos! Não tardou que o sapato se acomodasse ao pé, e aí foram ambos, estrada fora, braços dados, pisando folgadamente por cima de ervas e pedregulhos, sem padecer nada mais que algumas saudades, quando estavam ausentes um do outro. A confiança e estima de Vilela continuavam a ser as mesmas.


Machado de Assis, in: A cartomante.



Estraga Prazer

(notas de explicação que ninguém pediu...)


Dentre as temáticas que compõem a literatura brasileira destaca-se a trama do “triângulo amoroso”.

Um dos escritores brasileiros que mais desenvolveu o tema foi Machado de Assis (1839-1908), que analisara os conflitos humanos, as máscaras sociais, e os embates entre os valores e convenções da sociedade brasileira no século XIX aos dilemas e apelos do amor sensual.

Essa realidade pode ser observada em o conto-romance Dom Casmurro, onde Machado desenvolve todo um jogo ficcional-narrativo entre os valores cristãos burgueses e os conflitos provenientes do amor romântico.

Através das ânsias e ações das personagens Bentinho, Capitu e Escobar, o escritor coloca em xeque as convenções sociais comuns à sua época; que impunham arranjos de casamento entre famílias por interesses comuns e não por laços de afetividade.

No conto A cartomante, Machado também desenvolve a trama do triângulo amoroso. Por meio das personagens Vilela, Rita e Camilo, o escritor apresenta perfis psicológicos densos e situações intensas acerca das relações entre gênero e, especialmente, da imagem feminina.

Na obra machadiana é comum a aparição de personagens mulheres dissimuladas, interesseiras, traiçoeiras, oblíquas... o que demonstra a visão patriarcal-cristã da época que confere ao feminino os atributos de Eva e/ou serpente...

Para Luft (1991), o escritor transfere às personagens femininas os seus próprios problemas existenciais: ambição, desvencilhamento com o passado, peso da hierarquia social... Esses conflitos se podem observar nas personagens Guiomar e Helena, ambas da primeira fase do escritor: a romântica.

Por outro lado, segundo destaca Bergamini (2008, p. 2), “o escritor via a mulher como um elemento social que maneja e comanda, sendo astuciosa e cerebral, divergente, nesse ponto, da mulher romântica”.

Essa última observação condiz à segunda fase do autor: a do realismo. Nessa fase destaca-se o autor analista, observador, frio no raciocínio, na exposição de fatos que “retrata a mente humana”, analisando-a com ironia e humor (LUFT, 1991, p. 578).

No tocante à temática do triângulo amoroso, Machado em Dom Casmurro e em A Cartomante desenvolve as narrativas sob duas perspectivas. Em Dom Casmurro, o autor deixa à livre imaginação do leitor o desfecho da narrativa: a menina de “olhos de ressaca ou de cigana oblíqua e dissimulada” traiu ou não Bentinho? Eis um conflito que inquieta gerações de leitores!

Para Bergamini (2008), devido Machado desenvolver a trama em uma temporalidade psicológica acaba por provocar a ambiguidade, levando o leitor a dúvidas sobre os fatos; tendo em vista que: “O conto mostra como o desejo pode abrir brechas em situações de opressão. Nada acontece objetivamente entre os dois” [entre Capitu e Escobar]. Todavia, “onde nada aconteceu, tudo pode estar acontecendo subjetivamente” (BERGAMINI, 2008, p. 11).

em A Cartomante, o triângulo amoroso é descrito objetivamente por meio da voz de um narrador onisciente que descreve uma situação de adultério entre uma mulher casada que se apaixona pelo amigo de infância do marido. Entretanto, apesar do adultério consistir o centro da narrativa, para Bergamini (2008, p. 11), o triângulo amoroso é mais um pretexto para o escritor revelar os “dilemas da consciência, da relatividade dos valores, bem como das fraquezas morais a que todos estão sujeitos”.

Também na poesia, a temática do triângulo amoroso é bastante explorada pelos poetas. Conforme se pôde ler no poema ordi(bi)nário, da poetisa Wania de Porto Alegre-RS, a relação entre amantes é descrita como harmoniosa até entrada de uma terceira pessoa, ou melhor de uma "Álgebra", no poema-equação surgindo conflitos entre pares que nem sempre podem encontrar “a raiz do problema”...

Em o texto amor 4X4, evidencia-se também a expressão sutil de uma situação triangular, onde a escrita poética acena para os dilemas humanos em razão das intempéries amorosas.

Em ambas as situações, o que se percebe é que os sentimentos, sensações e analogias realizadas pelas vozes líricas apontam para-além das aparências e revelam, “por cima de ervas e pedregulhos”, a própria obliquidade inerente à condição humana.



Referências


BERGAMINI, Denise Lopes. As mulheres no conto de Machado de Assis. In: Darandina Revista Eletrônica. Programa de Pós-Graduação de Letras – UFJF, v. 1, n. 2, 2008, p. 1-17.


LUFT, Celso Pedro. Novo Manual de Português: Redação, Gramática, Literatura, Ortografia Oficial, Textos e Testes. São Paulo: Editora Globo, 1991.


MACHADO, Assis de. A Cartomante. In: ______. 50 contos. Machado de Assis. Seleção, introdução e notas de John Gledson. São Paulo: Companhia das letras, 2007.



*Artes disponíveis no Google Imagens.

**Texto escrito por Hercília Fernandes.


Hercília Fernandes "fala" em O lugar que importa


Em 10/05/08, a poetisa, educadora e pesquisadora Hercília Fernandes esteve no blog do escritor e psicanalista Marcelo Novaes (O lugar que importa) para um “bate-papo literário”.

Na ocasião, a escritora das “imensidões íntimas” fora inquirida a “falar” ao autor de “O lugar que importa” suas concepções sobre arte literária; das águas e dos espelhos em sua poesia; e o lugar da escrita feminina na atualidade.

Sem nenhuma dúvida, esse encontro é um “precioso achado” para os que, como eu, buscam uma compreensão para o fenômeno criador e apreciam uma boa literatura. Por essa razão, o blog “Maria Clara: Simplesmente Poesia” tem a honra de divulgar o bate-papo nesta postagem.




FH/HF diante de outro espelho. Fala, Hercília!


Marcelo Novaes (O lugar que importa):

Aqui, nesta postagem, abro espaço para a colocação de idéias e propósitos artístico-literários de HF, Hercília Fernandes. Hercília tem um blog, bastante visitado por mim e alguns dos leitores deste "O Lugar que Importa", http://fernandeshercilia.blogspot.com/, no qual assim se apresenta:


HF OU HERCÍLIA FERNANDES

"Sou um pouco de tudo: dispersão e pragmatismo se misturam e 'deformam' minha personalidade. Sou como um verso mudo, entrecruzado nas entrelinhas de tantos discursos e vãs verdades. Por fim, sou o que sou e isso é tudo! O resto é controverso nas linhas da transitoriedade". Mestranda em Educação (PPGED-UFRN); Pedagoga; Especialista em Ed. Infantil; Professora, poeta, compositora, escritora com dois livros já publicados e participações em antologia.


Vamos "ouvir", com atenção, algumas de suas concepções e preferências sobre Arte e Literatura, e algumas "nuances" de seu trabalho (me desculpe o galicismo, Hercília, mas acho "nuanças" uma palavra improvável de ser usada, pela popularização da original...).

Segue-se o meu pequeno bate-papo com a escritora-educadora, Hercília Fernandes.


Entrevista:


1) O que é Literatura para você, Hercília,e para que serve a "dita cuja"?! Qual o lugar da Literatura em meio às demais Artes?!


H.F.: Literatura é uma linguagem desprendida da lógica, do senso comum e caminha à arbitrariedade, cuja materialidade e fim repousam em uma única entidade: a palavra. Essa é uma das possíveis definições apresentada pela crítica Nelly Novaes Coelho (1980) e outros analistas, como Massaud Moisés, na qual acredito. A palavra é o universo da literatura e a ferramenta do escritor, assim como é o instrumento que possibilita ressonâncias e repercussões de “imagens” no ser do leitor, dentro da perspectiva bachelardiana de arte literária, da qual compartilho. Todavia, “quê palavra”? “Qualquer palavra pode ganhar o status quo de ‘ser’ literária”? Aí, entramos no problema do gosto e do que as pessoas, em determinada época e contexto sócio-histórico, nomeiam como sendo literário. Particularmente, a palavra a que me refiro é a “palavra transfigurada”, aquela que consegue se dissociar das convenções da língua e se libertar do sentido usual, originando uma nova idéia, uma outra maneira, mesmo que com “ferramentas gastas”... Ou seja, a palavra literária caminha sempre para a reinvenção, embora vestindo “velhos panos” (signos). Quando a leitura surpreende o leitor com essa nova idéia, cor, sentimento, construção... essa palavra é literatura! Então, a partir dela o leitor ressignifica a sua existência, construindo outros horizontes, portos, navios... O interessante da linguagem literária – quando não é “bula de remédio”, evidentemente – é justamente essa capacidade de reinvenção, de transportar sentidos entre autor – texto - leitor. Isso, em si, já justifica a sua existência. Aquilo que apresentamos maior sensibilidade opera melhores modificações em nosso ser, mas quando o texto minimiza as possibilidades de leitura, nem sempre há uma verdadeira transformação porque a escrita está presa a mecanismos – valores, conceitos, regras - que um leitor experiente facilmente identifica, nem sempre compartilha e nem sempre são essenciais à sua vida. A literatura, como linguagem própria, possui sempre autonomia, porém se relaciona, continuamente, a outras formas de expressão. Lembremos o caso da poesia, a linguagem poética utiliza elementos da música e das artes visuais. Há textos que são mais canções do que propriamente poemas, outros são tão paisagísticos que compõem uma verdadeira aquarela no ser do leitor. E, ainda, temos que lembrar a parceria da literatura com a dramaturgia televisiva, com a imagem fonográfica, com o teatro e a tragédia... Isso significa que onde houver “palavra transfigurada”, isto é, multiplicidade de sentidos, ali, há a presença da literatura.


2) Sabemos que pode haver "alta cultura" com degeneração ética. A República de Weimar não coibiu o Nazismo, e até o endossou, substancialmente. Pode a Literatura gerar "valores humanos"? Quando e como?


H.F.: Sim. A literatura tanto pode elevar a condição do homem ou remetê-lo para o retrocesso da sua natureza, seja no plano simbólico das relações propriamente subjetivas e/ou das representações coletivas. Isso porque os escritores são também sujeitos sociais; integram um grupo e/ou classe em um dado tempo histórico, onde compartilham com certa visão política, artística, cultural... - deixemos de lado essa visão simplista do artista como ser metafísico dissociado de uma realidade histórica! -Como ser social, o artista atribui à sua composição valores, saberes, ideologias, intencionalidades e, até mesmo, preconceitos e senso comum. Jacques Le Goff diz que o escritor é “herdeiro” e “tradutor” de uma cultura, isso significa que a obra literária contém um caráter “memorialístico”, já que comporta aspirações, necessidades, interesses e uma soma de idéias pertinente a um grupo amplo e/ou a uma elite cultural fechada. Vejamos o caso do Romantismo Alemão que, antes de mais nada, sintetiza um “movimento civilizatório”; Goethe, por exemplo, há quem o identifique como precursor das idéias de modernidade, cuja obra prima - Fausto – sintoniza o prenúncio de uma nova civilização, do avanço do capitalismo e de formação de uma cultura ajustada às idéias de saber, força e poder. O Fausto simboliza a ruptura do homem com o arcaísmo e o nascimento da crença absoluta no Novo, essa é a leitura que Marshall Berman, brilhantemente, realiza em um dos capítulos do livro Tudo o que é sólido se desmancha no ar: a aventura da modernidade. No Brasil, podemos citar vários exemplos de autores que se comprometeram em disseminar uma cultura desenvolvimentista do homem atrelada à construção de uma nova mentalidade para fomentar o nacionalismo. Esses escritores defendiam, inclusive, a virtude de algumas raças e/ou de algumas miscigenações para produzir um homem mais “são” e moralmente “melhor”. Aí, vemos, claramente, o mito da civilização operando sob o processo criador. (Ver leituras acerca do discurso médico incorporado à produção literária brasileira. Cf. Micael Herschmann: 1993; 1996). Ao lermos tais autores, - dentre eles Olavo Bilac, Afonso Celso, Euclides da Cunha... – é possível “enxergar” o olhar “etnocêntrico” guiando o processo de criação; onde a noção de “verdade” é produto dos que “pensam” a realidade histórica e justificam-na, em seus livros, por meio do discurso cientificista, alegando-se “conhecedores” espirituais e materiais da vida humana. Nesse caso, a literatura tende a modelar o espírito do leitor de modo degenerativo, já que não perpassa, em tais obras, o princípio da liberdade artística, liberdade que deve ser concomitante também às ações do leitor. A literatura atua unicamente como reflexo imediato de uma realidade que a aprisiona e não como resultado de uma relação dialética que norteia o cotidiano e repercute sob o processo criador. Essa é uma das questões que impulsionou a minha dissertação de Mestrado (UFRN), a partir da análise de obras de Cecília Meireles dentro do gênero infantil. Na pesquisa, busco compreender como a literatura infantil brasileira, sobretudo a produzida pela poetisa e educadora Cecília Meireles, nos anos de 1920 a 1940, fora representativa de certas ideologias, invertendo a realidade histórica a partir de uma visão idealista, amparada e legitimada a partir dos saberes oriundos da ciência. O discurso desses intelectuais escritores, ou “operários-artistas” como categoriza Herschmann, justifica-se pela importação de alguns mitos europeus, dentre eles: o de um Novo Homem, Nova Civilização e Nova Ordem Social. Acredito que a literatura contribui para evolução do homem, seja no plano espiritual ou material, quando o escritor confere diferentes ângulos de análise em sua obra, mesmo que, a priori, não compartilhe com alguns vértices. Pois, desse modo, o leitor pode confrontar valores e optar por caminhos que lhe parecerão mais “ajustados” ao seu entendimento e, sobretudo, à sua vida. Quando a literatura é representativa de interesses dominadores e ideologias, direcionando autoritariamente o olhar do leitor, ela pode até ganhar prêmios e atingir o status quo de ser literária pela crítica; porém, não deixa de ser prescritiva; portanto, “bula de remédio”!...


3) A literatura, como toda produção simbólica, provém do inconsciente em larga medida. Aliás, isso é um dos vetores de sua genuinidade/legitimidade . Alguns estão mais conscientes do que outros desse fato. E, por isso mesmo, fazem uma "parceria" entre consciente e inconsciente em seus trabalhos. Outros tentam fazer uma arte "mais estritamente consciente", e se comportam mais como "artífices" do que propriamente como "artistas". Você se dá conta do inconsciente em teu trabalho em que medida? Nos temas, cadências, imagens, em tudo isso e mais alguma coisa...?! Você se surpreende muito com o que escreve, ou com o como (o modo como) acaba escrevendo?


H.F.: Não acredito nessa visão de uma “musa”, “deus” e/ou “ninfa” operando no instante criador. Como já anunciei, essa concepção me soa ingênua e estritamente simplista. Acredito que um texto literário resulta da boa combinação das funções do “real e irreal” que acaba originando uma nova entidade, uma construção paralela e análoga ao cotidiano, esse conceito é o que defende - salva as diferenças estruturais entre os filósofos - Huizinga em Homo ludens e Bachelard em A poética do espaço e em A poética do devaneio. Agora, referindo-me a minha escrita, diria que as imagens, sons, sinestesias, associações são processos que me ocorrem naturalmente; porém, a maneira como irei catalisar essas forças é que envolve o processo que você chama de “consciência”. Resumindo, a imagem que o verbo suscita flui de modo extra-sensorial, porém para construção do texto necessito de todas as possibilidades da razão, do conhecimento técnico e saberes instituídos. Um bom texto, mediante a minha compreensão, provém do acordo harmonioso entre linguagem, valores e conteúdos. Isso significa que o artista, é antes de tudo, um “artesão”, alguém que sabe escolher bem a “cola” e as “figurinhas” para colorir e também deixar se descolar de sua aquarela. Não basta a percepção da idéia, é preciso domínios específicos. Uma das coisas que aprendi e vejo que tem surtido um bom efeito às minhas produções é sempre desconfiar. Desconfio do que escrevo, do que leio e também dos comentários dos leitores, sobretudo quando elogiam... (Risos). Sintetizando, as métricas que comumente uso, as associações simbólicas, os tons e, às vezes, os desequilíbrios semânticos são resultados dessa combinação - real / irreal -; nem sempre sei “o que” pretendo dizer, mas sempre me volto à mente para saber “como” dizer...


4) Você parece apreciar que não se distinga tanto uma "literatura de gênero" (masculina ou feminina). Talvez você advogue um "poeta hermafrodita" no seu imaginário. Afinal, existe uma literatura de gênero? Em que diferem (ou não) as duas escritas, masculina/feminina na tua vivência como escritora / crítica?


H.F.: Se eu dissesse que não há diferença entre a literatura feminina e a produção masculina seria desconsiderar todo um viés de enclausuramentos e submissões a que as mulheres tiveram e têm, diariamente, que transpor. A história da mulher escritora coincide com o seu processo de emancipação, de lutas e conquistas por direitos básicos como se vestir, votar, trabalhar no espaço extra-doméstico; enfim, de sonhar, fantasiar, expressar opiniões, conceitos, sentimentos. No caso brasileiro, até por volta dos anos de 1930, a mulher não podia externalizar, pelo menos escancaradamente, as suas vontades e idéias. As que lutavam contra este estado de coisas eram rotuladas de subversivas e, em piores casos, prostitutas; vejamos o caso das cantoras do rádio, de Anita Mafaltti, Tarsila do Amaral e Pagu no movimento modernista e Cecília Meireles na imprensa jornalística que sofrera várias perseguições do Estado Novo e da mentalidade patriarcal então dominante nos anos de 1930-1940. No meu caso, o que defendo é a minha “licença poética”, parafraseando Adélia Prado. Mas, sou consciente que aquilo que expresso é pertinente a um eu-lírico feminino, muito embora de um “eu” que busca “resistir” opressões, pressões e distorções de qualquer ordem. Creio fidedignamente que a linguagem literária pode - e deve - transpor valores, consensos e “bons sensos”... Quando escrevo, penso assim: - “Não estou aqui para aplaudir, mas para irritar”!... Isso implica o conteúdo “didático” das coisas que tento veicular. Não perco tempo imaginando como as pessoas irão construir a Hercília Fernandes “mulher”, “esposa”, “mãe”, “profissional da educação”, etc. Porque acredito que enquanto poeta – ou, se preferir, poetisa – sou alguém que lida com fatos humanos, entretanto reinventados pela lente visionária da poesia. Ilustrando, recentemente postei no blog “HF diante do espelho” um texto que soa como provocação, é um monólogo realizado por uma voz feminina, onde a personagem faz uso de afirmações e falseamentos para ilustrar algumas situações do seu universo afetivo-conceitual. O título da escrita já é, por si só, intrigante: Sobre-viventes (http://fernandeshercilia.blogspot.com/2008/03/sobre-viventes.html). Alguém que ler o texto, desatentamente, poderá interpretar que estou trabalhando com uma imagem invertida da mulher; quando, na verdade, o propósito é buscar um efeito contrário. No monólogo, a personagem dialoga com alguns mitos que foram sendo construídos pela filosofia, religião e, sobretudo, pelas relações sócio-humanas. O objetivo é um só: levar o leitor para a reflexão das entrelinhas existentes no cotidiano da mulher: seus silêncios, mutilações, coerções... “Mas, porque estou realizando esse percurso argumentativo”?! É, justamente, porque creio que o que difere a escrita de homens da produção feita por mulheres é o fato de os homens não terem sido historicamente amordaçados, não tiveram que pedir: - “com licença, deixe-me falar”!... não tiveram que vestir “anáguas” e mais anáguas para poderem expressar um eu-individual; já a minha personagem para dizer as coisas que lhe atormentavam o espírito, tivera que falseá-las, isto é, negá-las! É contra este estado de coisas que tento lutar, se gosto da denominação de “poeta”, é para deixar claro que, como artista, sou uma “invenção” de um eu-lírico, ou melhor, de H.F. Isso implica que não aceito ter que passar a vida inteira “ecoando” os ventos de Narciso como Eco, na mitologia grega, fora condenada a proferir. Sou alguém que busca unicamente: dizer!


5) Muita gente (leitoras, sobretudo) não digere tão bem uma "literatura de cinzas", de perda, de linguagem dura. Incluo, aqui, "a literatura do escarro", de Augusto dos Anjos. Há os grandes escritores da linguagem dura (Cesar Vallejo, William Faulkner, William Burroughs, John Steinbeck, Augusto dos Anjos, Hilda Hilst...), assim como há uma "literatura da loucura" (Sylvia Plath, Anne Sexton, Antonin Artaud, Strindberg, Hilda Hilst, de novo...). Como você vê as cinzas e a loucura na literatura?


H.F.: Eu costumo chamá-la de literatura trágica. “Que literatura é essa?”. É aquela que leva o leitor para o porão, para o submundo, para aquilo que está no inconsciente humano, seja individual ou coletivo. Essa literatura da tragédia não é, como muitos supõem, contrária à vida ou pessimista; é, acima de tudo, catártica porque produz substâncias que renovam o interior de quem a constrói e/ou de quem a aprecia. Mas, é importante traçamos pontos divergentes. O cinza, na literatura, pode aparecer também associado às coisas do sótão, ligado ao ar que se apresenta, portanto, menos denso e evoca o desejo de liberdade e plenitude do sujeito; não mais associado ao porão onde circulam os “ratos”, os fenômenos do subterrâneo e as obscuridades da mente. Particularmente, eu gosto de textos que me fazem refletir, que me apontam para o sentido da vida e para as contradições existentes nas relações humanas. Se os “gatos” são “pretos, pardos ou amarelos”... pouco me importa. O importante mesmo é identificarmos os ratos existentes no interior humano. Para mim, a tragédia é uma das literaturas mais belas, porque há muita “sinceridade” na exposição do artista de sua dor, de seu sofrimento, de seu desvario... Penso que o que acontece é que fomos e continuamos sendo educados para não enfrentar dores, perdas, rupturas... O mito da felicidade, a eterna busca humana pelo “bem perdido” ainda vigora em nossos dias. E, esse tipo de literatura, voltando-me inclusive aos autores que você menciona, contribui para estabelecer tal confronto, desfazer dogmatismos e evitar automatizações. Dois dos livros de Cecília Meireles que mais aprecio são “Viagem” e “O estudante empírico”, porque nessas obras quase se pode tocar a sua dor, a poetisa expõe verdadeiramente o seu eu-lírico e isso emerge sensações no interior do leitor, modificando-lhe os sentidos, os hábitos, os conceitos, enfim, as “pequeninices” da alma. Para mim, é importante enxergarmos a beleza existente na dor, não numa perspectiva equivalente à mortificação do ser ou do desespero; mas, de sê-la comum à vida humana e ao processo de evolução. A maioria dos grandes filósofos atesta para essa realidade, do aprendizado humano pela dor, pela transcendência do espírito e da matéria; enfim, a dor permeia o nascimento, o crescimento e a morte do homem: - “porque, então, nela, não enxergamos nenhuma beleza”?!


6) Defina sua própria literatura, e fale do papel do mar, das águas e dos espelhos nela. E, formalmente falando, o que achas nos teus bordões imperativos ("Vela!", "Reza!", "Cala-te!", "Deitando-me! - está em Alquimia, este último apelo...), das reticências e dos hífens em tua escrita? (o "trait d'union", o traço de união, como chamado pelos franceses, nome preferencial, inclusive, usado por alguns escritores argentinos). Quais suas influências mais diretas, localizáveis?


H.F.: Não sei se seria capaz de estabelecer uma definição clara para as minhas escritas. Penso que aquilo que me sensibiliza, que me faz “chover”, materializo em linguagem; valendo-me, evidentemente, de releituras, teorias, conceitos, figuras de linguagem, etc. Se o que escrevo é literatura, ou não, isso cabe ao leitor julgar. A água, para mim, sintetiza autoconhecimento, revelação e, também, metamorfose - lembremos a lenda de Narciso. Por isso, a água é um dos elementos centrais da poesia lírica, já que se trata de uma produção individual, subjetiva e, sumariamente, introspectiva. Entretanto, não tomemos a produção do eu-lírico como produto direto de um narcisismo primário, onde a idéia de fuga e evasão temporal permeia o instante criador; mas, de mergulho interior do ser emotivo que busca, por meio de imagens poéticas, reencontrar a sua “infância duradoura, móvel e permanente”, para que todas as coisas possam aparecer duplicadas, refletidas; essa é a perspectiva bachelardiana do fenômeno criador na poesia, a qual Bachelard nomeia de “narcisismo cósmico”. Mediante essas considerações, penso que já poderia aventurar uma conceitualização. Creio que o que escrevo se encaixa na categoria de “Lírica”, por isso é uma produção com fecho reflexivo, filosófico, sentimental, existencial e, também, trágico. Muitos dos bordões que utilizo servem para acentuar tais qualidades, não se trata, pois, de uma literatura egocêntrica, focada especificamente no universo interior da H.F.; mas, de uma escrita que se vincula à relação “eu / tu”. Ou seja, o “outro” habita o meu imaginário poético, faz parte desse processo de interiorização e/ou intersubjetivação. Por isso, sempre evoco a sua presença através de expressões que possam localizá-lo dentro da trama. Em Alquimia (http://fernandeshercilia.blogspot.com/2007/12/alquimia.html), além de evocar a presença do outro, a construção textual busca dar outro sentido ao verbo “dar”, que, referindo-se à segunda pessoa do singular (tu), acaba transfigurando o significado para o verbo “deitar”. Outros recursos, como o uso do hífen, são manuseados para oferecer ambivalência aos termos e abrir possibilidades de leituras às entrelinhas do texto. Em Sobre-viventes e Normal-mente (http://fernandeshercilia.blogspot.com/2007/10/normal-mente.html), o leitor poderá observar tais considerações. Sintetizando, faço uso de hífens, reticências, separação de sílabas, etc.; para favorecer a ressignificação textual e, também, para causar um efeito de “can-ti-le-na”, de conversa em “voz alta”. Tais recursos são encontrados na Tradição Oral, sobretudo na prosa-poética e verso em prosa da Literatura de Cordel, a que sempre apreciei. Outras influências localizáveis em meus textos se devem muito as múltiplas leituras advindas não tão somente da literatura, mas também da psicologia, da filosofia, da análise literária, e, até mesmo, da pedagogia. Sempre apreciei uma boa leitura, produto de bons autores e gêneros variados; porém se eu tivesse que escolher exclusivamente um autor, não teria nenhuma insegurança em citar “Machado de Assis”, o grande “alienista” da literatura brasileira. Muitos de meus textos fazem interpelações e produzem diálogos com a obra machadiana. Em meu segundo livro (Agá-Efe: entre ruínas & quimeras: 2006), há vários textos onde dialogo com fragmentos de O Alienista, a maioria retirada apenas da lembrança ardente existente na memória.


7) Quais escolas literárias você aprecia mais, Hercília? E quais suas reservas a estilo ou escola? Existe alguma com relação à qual encontra menos facilidade de identificação, apreciação, ou até mesmo pela qual sente "antipatia"?


H.F.: Aprecio a maioria das escolas literárias levando em conta os gêneros. A prosa no Realismo e no Naturalismo é algo que merece ser levado em conta (ver a obra de Machado de Assis e Aluísio de Azevedo). Os temas na poesia árcade, sobretudo na fase pré-romântica, são fontes inigualáveis de inspiração (Ver Bocage). O exagero trágico-emotivo e a externalização do eu-lírico da segunda geração romântica com Álvares de Azevedo. A musicalidade e a sugestão de signos da poesia simbolista com a voz aveludada de Cruz e Souza. A criatividade e não-formalidade da linguagem modernista com Mário de Andrade, Manuel Bandeira e demais modernistas. Enfim, creio que cada escola tem algo a fomentar de relevante para a formação do leitor. Eu gosto de leitura, até bula de remédio, na falta do que fazer, eu leio...; porém, não sou defensora de nenhum “ismo” e creio que a minha escrita passa um pouco essa idéia. Se me perguntassem em qual escola as minhas “expressões de afeto” se encaixam, eu responderia que minha literatura procura ser “antiescolar”; porém, não no sentido de defesa de corrente filosófica desvinculada da vida real cotidiana, mas de busca da “identidade na diversidade” e não no cumprimento formal de regras literárias, creio eu!... Agora, tratando-se de antipatia, só resta-me dizer que o Barroco e o Parnasianismo são as escolas que talvez eu apresente menos sensibilidade, especialmente pela formalidade lingüística, a rigidez academicista, a objetividade no tratamento dos temas e a preferência aos temas religiosos, no caso do Barroco.


8) O que merece ser relido, sempre, no seu ponto de vista? O que você relê, Hercília? Acha a dramaturgia uma escritura que se sustenta por si mesma, aquém ou para além do palco, antes ou depois dele?! Você gosta de ler dramaturgos "no papel", ou de ver seus trabalhos "na telinha"?


H.F.: Sempre releio os clássicos e cada vez me surpreendo com uma nova leitura: Camões, Bocage, Fernando Pessoa, Machado de Assis, Eça de Queiroz, Aluísio de Azevedo, etc.; embora ultimamente tenha tido pouco tempo para uma leitura desinteressada. Também releio os filósofos do imaginário, livros científicos relativos à análise literária e temas educacionais. Continuo acreditando que nada substitui o prazer da leitura a partir do material impresso; muito embora a televisão, o teatro e o cinema, sem falar na Internet, contribuam para disseminar a obra, expandi-la para um público leitor mais abrangente; já que as imagens, sonorizações e demais efeitos funcionam como instrumentos de repercussão e facilitam ressignificações textuais.


9) Por favor, diga o que acha da literatura veiculada em Jornais literários e Revistas digitais, além dos blogs. Há literatura nos blogs? Quando o meio restringe, em si mesmo (por limites espaciais), a aproximação com "os grandes romances", poderíamos cogitar "no fim da era dos grandes romances"? Quais os romancistas que você aprecia?Cite algum romancista que te chame a atenção hoje em dia.


H.F.: Olha, com a entrada triunfante da Era Virtual, o que eu percebo é que está se formando um movimento literário global em torno de espaços amplos de visitação e interação, sobretudo em sites especializados e nos blogs individuais. Isso, porém, não significa o súbito aparecimento de novos autores no cenário da literatura; sempre se escreveu - e muito! Todavia, os textos ficavam fadados ou ao “sereno” ou às “gavetas”. Em minha opinião, o que fazemos nesses cenários é um intercâmbio cultural, o que é um exercício bastante enriquecedor para os que pretendem lançar-se à escrita. Nesses espaços é possível manipular várias linguagens e conferir uma boa apresentação ao texto, como também há uma resposta imediata dos leitores que apreciam gêneros literários. Entretanto, é preciso chamar a atenção para um fenômeno: o fato de o homem pós-moderno ter necessidade e liberdade de expressão para buscar a plenitude da relação “eu / tu”, não implica necessariamente que essas produções possam ser qualificadas como literárias. Há textos e textos, portanto blogs e blogs!... Isso significa que a facilidade tem gerado também a sensação, e/ou falsa ilusão, de que qualquer pessoa possa vir-a-ser poeta e/ou escritora. Em síntese, qualquer pessoa pode expressar sentimentos, idéias, opiniões...; mas, um texto literário é, antes de tudo, uma obra de arte. E o artista é aquele que, possuidor de uma sensibilidade aguçada e domínios técnicos específicos, “sabe” manusear imagens e signos, recriando elementos da vida. “Quantos são verdadeiramente artistas”? “Quantos não estão buscando atrair atenção às imagens pessoais e não propriamente à produção escrita”? Essas são algumas poucas indagações que se devem refletir, pois não basta apenas “jogar pedras ao luar”, é preciso que essas pedras tenham em si os germens da eternidade, isso é o que faz um texto subsistir no imaginário humano. Da mesma maneira que percebo as facilidades da Internet também receio que as gerações atuais - e futuras - substituam o prazer da leitura impressa pela digital, mas não creio que essa “facilidade” invalide a leitura do livro de ficção, dentre eles o romance. O romance, ou qualquer outro gênero que exija uma leitura mais complexa, devido ser uma escrita longa, rica e minuciosa em detalhes, em meu conceito não deve ser veiculado na Rede, a não ser em formato de livro eletrônico (E-Book); pois não creio que a leitura na tela de um computador seja o meio mais favorável à apreciação de uma linguagem tão cheia de nuanças contextuais e estilísticas. Porém, o romance está longe de ser um gênero destinado ao obsoleto, muito embora hoje estabeleça estreitas relações com outros gêneros literários e outras formas de veiculação além do material impresso, como é o caso da produção de Ariano Suassuna que dialoga com vários estilos, gêneros e tem sido veiculada também na telinha da TV e do cinema. Aprecio bastante a sua obra, sobretudo devido o retorno e a valorização às velhas fontes orais, o folclore propriamente dito, e a preferência aos temas pitorescos da natureza humana que demanda uma expressão teatral e, simultaneamente, trágica.


10) Fale-me da poesia que você tem contactado recentemente, e de suas aspirações para a Literatura, para você mesma e para nós todos. Agradecemos sua participação, e abrimos espaço para considerações que ache que ficaram de fora, qualquer coisa sobre a qual não tenha tido oportunidade suficiente para abordar. Obrigado.


H.F.: Bem, minhas intenções literárias presentes têm se resumido aos blogs: “HF diante do espelho” (http://fernandeshercilia.blogspot.com/) e “Novidades & Velharias” (http://novidadesevelharias-fernandeshercilia.blogspot.com/). No primeiro, publico exclusivamente textos autorais, sobretudo poemas. No segundo, ainda em expansão, artigos referentes a temas educacionais, especialmente os que tratam de múltiplas linguagens na escola, como o caso da poesia e da música. Além disso, apresento e analiso textos de outros autores, especialmente os que estão divulgando suas escritas em blogs pessoais (Ver a análise do poema Quando chegas de Taninha Nascimento. Disponível em: http://novidadesevelharias-fernandeshercilia.blogspot.com/2008/03/comentrio-poesia-nos-blogs.html). Há poucos dias, lancei no “Novidades & Velharias” um quadro de entrevistas intitulado “Café literário” e contei com a sua presença, Marcelo Novaes, para expor aspectos de sua produção literária em “O lugar que importa” (Ver a entrevista em: http://novidadesevelharias-fernandeshercilia.blogspot.com/2008/03/caf-literrio-entrevista-com-marcelo.html). Brevemente, o blog receberá a presença, já então confirmada, do poeta português “Vieira Calado”, autor de vários livros de poemas; que explicitará, aos leitores brasileiros, os motivos centrais de sua poética, bem como, demais elementos relativos à sua carreira literária. Esse quadro de entrevistas fora criado a fim de favorecer a divulgação dos autores de poesia nos blogs e, também, ampliar horizontes de leitura para os leitores virtuais. Agora, tratando de intenções a médio prazo, tenho buscado abarcar aceitação junto a editoras a fim de publicar os meus dois livros (Retrato de Helena: 2005; e, Agá-Efe: entre ruínas & quimeras: 2006) que foram veiculados, aqui, no Nordeste numa produção restrita, financiada pelo SESC-RN, e distribuídos nas escolas do SESC e públicas. Também tenho em mente publicar a minha dissertação de Mestrado, vinculada ao Programa de Pós-graduação em Educação da UFRN (PPGEd), sob a orientação do Prof. Dr. Antônio Basílio Novaes Thomaz de Menezes, cujo objeto de estudo é “o lirismo poético-pedagógico de Cecília Meireles em Criança meu amor (1924)”. Outro plano futuro, talvez o que exija maior concentração da minha parte, é materializar um antigo sonho: o de produzir um trabalho especificamente para crianças. Já venho trabalhando com poesia infantil e pesquisando, como pedagoga, o universo da criança e da infância para que um dia possa me aventurar a entrar nesse universo tão delicado e especial como é o mundo da criança e da literatura infantil. No demais, deixemos que as “águas” com seus “espelhos” falem por si... Marcelo Novaes, eu quem devo agradecer-lhe pela boa oportunidade de diálogo em “O lugar que importa”, estendendo o meu agradecimento aos seus leitores. Abraços, Hercília Fernandes ou H.F.


Encerro essa nossa conversa com um texto teu, HF, que poderá ser melhor apreciado ( com sua diagramação e escolha de imagem), junto com muitos outros, no teu blog. Abração!


Alquimia


Dei-te rosas.
Dei-te ventos em procissão.
Dei-te a primavera:
A lâmpada, louca, cega;
Vela de contemplação.


Dei-te o mar.
Dei-te beija-amores.
Dei-te estrelas na tarde.
Dei-te riso, siso, fabuladores...


Dei-te especiarias:
ouro, prata, cristal, pedrarias.
Dei-te cada flor-metal em romaria.
E meu pranto quieto, inquieto,
transmutado em alquimia:


- Deitando-me!...


http://fernandeshercilia.blogspot.com/search/label/alquimia



BIOGRAFIA:

Hercília Fernandes: Pedagoga (UFRN); Pós-graduada em Educação Infantil (UFRN); Mestranda-concluinte no Mestrado em Educação (PPGEd/UFRN/Natal-RN), na linha de Pesquisa História e Cultura da Educação. Coordenadora pedagógica nas redes municipal/estadual de ensino na cidade de Caicó-RN. Escritora com dois livros publicados (Retrato de Helena: 2005 e Agá-Efe: entre ruínas & quimeras: 2006); Em 2006, teve dois textos selecionados em Concurso literário promovido por Arnaldo Giraldo (Edições AG), onde obteve 3◦ lugar na categoria "crônica" e 5◦ na categoria "poesia". Em 2007 participou da Antologia Ritmo Vital, publicada pelas Edições AG/São Paulo; e recebeu homenagem conferida pelo SESC-Seridó por feitos à cultura local, em Feira de Livros promovida pelo SESC-RN.



Entrevista disponível em:

O lugar que importa (Blog de Marcelo Novaes): http://olugarqueimporta.blogspot.com/2008/05/fhhf-diante-de-outro-espelho-fala.html

Novidades & Velharias (Blog de Hercília Fernandes): http://novidadesevelharias-fernandeshercilia.blogspot.com/