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* Tear *

Tela : Maurício Barbosa

na rua cansada
mulheres salivam
conversa (a)fiada
no tear
da ilusão
pra que tanta
conversa (des)fiada ?
Fio de navalha
a penetrar o coração
a alma indigesta

porém
sem conversa
não há festa
nem motivação
palavras viram
novelos, atam nós
calejam a língua

sem conversa
a alma mingua
feito a lua
mulher vaidosa
que também adora
uma prosa
com quem a chama de sua

Úrsula Avner

* alma flamenca *

tela : danza del fuego - Carlos Carreteiro

passos absolutos
golpeiam o chão
chora a guitarra
pulsa forte
o coração

nas mãos
a leveza da garça
batidas compassadas

sensualidade
paixão
mistério
dramatização

o palco
vermelho
como carmim
olhos marcados
tez franzida
desejos farpados
vibram em mim

Úrsula Avner

* Olá pessoal, sou apaixonada por dança flamenca e só agora, após os 40 anos, tive oportunidade de aprender um pouco desta complexa e bela dança originária da Espanha.
O poema é uma homenagem aos (ás) dançarinos (as) de flamenco.
Carlos Carreteiro é um pintor espanhol que reside em B.H e juntamente com sua mulher, é dono do La Taberna onde podemos saborear típica comida espanhola e assistir a belas apresentações de dança flamenca. Um abraço !

Úrsula

* Rotina *


velha caquética

não sabe que já caducou


alma esquelética

no tempo estancou


arrasta seu chale puido

sapatos roidos

corpo moido


nas mãos rugosas

cheiro de mofo


nos olhos fracos

réstia de um brilho fosco


catarata



Úrsula Avner

* imagem disponível no google- sem informação de autoria
obs: o objetivo aqui, longe de enaltecer qualquer preconceito em relação ao envelhecimento, é usar elementos linguísticos relacionados socialmente á velhice, que apontam a rotina como algo sem vigor ou prazer, como em alguns casos de envelhecimento.

* Facetas femininas do Éden *




Fonte da imagem: vidapimentada.blogspot.com ( sem informação de autoria )



O que se entende ser mulher

é gota em abissal oceano

mistério trancado a sete chaves

oculto atrás de véus e panos


a degustação do fruto proibido

lançou a sorte

definiu a direção da libido

de Maria, Ana, Teresa

daquela que tira e põe a mesa


da que ama em desvario

doidivana no cio

da que agoniza

em silêncio de arpão

no breu da solidão


daquela que faz da família

seu porto seguro

da que caminha sozinha

tateando da vida o muro


daquela que é prenhe de ideias

da que contempla numa tela vazia

um campo de azaleias


O salário do pecado é a morte

dor no ventre

sangra o corte

clamor nas entranhas

rasgadura na pele e na alma

reza de benzedeira

agonia de parideira



Úrsula Avner


* O verso "O salário do pecado é a morte" é bíblico