Elementar


De que é feito o poeta?

De matéria
etérea
ou concreta?

Do fato
que vivencia
ou da utopia
que projeta?

Ele é feito
de sopro
ou de barro?

Ele habita
o corpo
ou a alma?

O poeta levita
ou mergulha?

A escrita
lhe é fagulha
ou despiste?

O poeta acredita
que existe?




Publicação especial para Hercília Fernandes,
que se serviu deste poema, hoje, para inaugurar
Devaneios sobre o devaneio no Facebook.

In Maria Clara: universos femininos, 2010, p. 181.

5 comentários:

Renata de Aragão Lopes disse...

Diga-me:
de que é feito o poeta?

Hercília Fernandes disse...

Renata, minha Amiga, muito obrigada pelo oferecimento do poema: amei, posto apreciar imensamente seu texto "Elementar"!

Em relação à pergunta... o poeta, poder-se-ia dizer, é feito de todos os elementos que você apresenta-nos:

Efemeridade/concretude; fato/idealismo; sopro/barro; voo/mergulho; fagulha/despiste... enfim, o poeta porta todas as matérias, por você, poetizadas.

Belo e rico poema, minha querida. Aprecio muitíssimo!

Beijos com carinho,
H.F.

MIRZE disse...

Como sempre, LINDO!

Se eu for poeta, sou feita de barro!

Beijos

Mirze

Renata de Aragão Lopes disse...

Hercília,

muito obrigada por me fazer descobrir em "Elementar" um grande poema.

É fabuloso como a poesia transcende ao poeta. E se agiganta sem que ele se aperceba...

Se a Mirze é de barro, eu me declaro sopro, a habitar a alma.

Por isso, o poema "Coisa de ninguém", também publicado na obra Maria Clara, em que afirmo:

"a poesia
não é minha filha
(...)

a poesia
não é minha arte
(...)

a poesia não me vem
a poesia não é minha"

Beijo às duas, ambas tão queridas!

A indagação permanece:
de que é feito o poeta?

Crista disse...

\o/xij