Velada

Foto: Lara


A parafina da vela me queimou
Acaba a luz, e a mesma novela:
Tatear pelo isqueiro
Procurar a dita cuja
Andar pela casa com ela na mão
E a cera a escorrer.
Até pôr a casa toda alumiada...
Melhor ficar com a escuridão
E a hipnose de observar
O brilho tonto no pavio a dançar
Ao leve suspiro da minha ostentação.
Enquanto a luz não volta
Tateio a parafina seca
Grudada à minha pele
As formas em que se derramou
- A geometria -
Deixam-me a imaginar
O fulgor derretendo a vela
Ela, tortas esculturas
No meu corpo a (des)velar.

44 comentários:

Mirse Maria disse...

Que poema lindo Lara!

As velas deixam mesmo formas geométricas na pele.

"O fulgor derretendo a vela...a des-velar".

Maravilhoso!

Parabens, linda poetisa!

Beijos

Mirse

Albuq disse...

Muito lindo o poema lara!
Cheio de luz, de formas, cera e pele, luz e escuridão, visão e imaginação, olhar e sentidos!

lindo!
bjs

Talita Prates disse...

Adorei o humor do título.

Belo, belo, Larinha.

Um bjo,

Talita.

Renata de Aragão Lopes disse...

Ah, Lara!
A vela te desenhou! : )

Que lindeza de poema!

Lembrança feliz
de minha infância:
parafina na pele
pra criar
verruga de bruxa
ou tatuagem em alto relevo.

PS: não sou masoquista! (risos)

Beijo, flor!

Lunna Guedes disse...

Belissimo poema, a noite se iluminou com esses versos. Eu sei que ainda é tarde, mas seu verso me vestiu de noite por alguns segundos. Bacio

BAR DO BARDO disse...

Gostei!

:)

reltih disse...

se nota una gran sensibilidad.
besos

Lou Vilela disse...

Quantas imagens!? Uma belezura.

Bjs

angela disse...

Lindo poema
Brilho tonto
Gostei
beijos

Juan Moravagine Carneiro disse...

Bela imagem...

...Belo poema...

...Belo espaço!

Ribeiro Pedreira disse...

"A vela é de cera
e a cera pega fogo
e o fogo lá da vela
é o eterno coringa do jogo"

(Raul Seixas)

O fogo guarda mistérios, forma esculturas e é escultura.
Bjs, POETA.

Mai disse...

O pensamento - um lume e uma palvra é velada.

Muito bom!
Beijos

Dilberto L. Rosa disse...

Crônica poética interessante, minha cara! Gostei mais ainda de seu 'post-homenagem a Lou, com uma dose bem inspirada de teu frescor poético (que, olhe, não deve nada a ninguém, não, viu?!)! Abração, sumidamente triste (ou seria tristemente desaparecida?!)!

Ianê Mello disse...

Lindo poema, amiga!

Belo jogo de palavras.

Grande beijo.

Carol Morais disse...

Querida Lara, que belo poema!

Muitas vezes estamos na escuridão, e acabamos por viver uma tortura. O pior é que gostamos de ser torturados.A cera quente, escorre, dói e ao mesmo tempo, após resfriada em contato com nossa carne de mármore, formas geométricas surgem e nos deixam com alguma esperança de que não estamos sozinhos. Doce ilusão. Cada vez mais sozinhos, buscamos com nossa pequena vela, velha, iluminar os caminhos de nosso pequeno cubículo chamado vida.

Um grande beijo!

Úrsula Avner disse...

Oi Lara,

lindo poema trazendo uma analogia á vida humana com belas imagens poéticas ! Bj,

Úrsula

Solange Maia disse...

Lara,

vim lá do seu outro blog... curiosa... e, que surpresa !

adoro luzes assim, meias e veladas...

que bárbaro o que fez com as palavras !!!!

beijos

Sr do Vale disse...

ReveLara.

Livinha disse...

A (des)velar ou eu queimo ela ou ela me queima...
Bela transferência de lutas que na escuridão se manifesta, um pavio curto aceso, como a te observar, enquanto você observa ela, ambas a se olhar, até uma luz se manifestar e essa guerra acabar...

Perfeito Lara
o Eu consigo!

Parabéns!!!

caverna disse...

Que poema mais lindo Larinha. Gosto muito de ler sobre "o comum" escrito de forma tão poética. Faz a gente se transpor para um universo completamente diferente pelo simples fato de presenciar eventos aparentemente rotineiros, mas que dentro da nossa cabeça levam a milhares de analogias e segundas interpretações. Você mostrou várias sacadas inteligentes ao longo do poema e o próprio título é uma delas.

Parabéns meu bem, tenho muito orgulho de você e nunca pare de escrever!

Um beijo carinhoso do amigo Rafinha!

La sonrisa de Hiperión disse...

Precioso el poema y la foto... Siempre genial.


Saludos y un abrazo enorme.

Adriana Godoy disse...

Adorei essa imagem da vela derretendo e o que ela inspira. Aliás, quanta inspiração,Lara! Parabéns. beijo.

Assis Freitas disse...

Velar e desvelar, jogo sinuoso de palavras. Vão ao vento também em velas, como se fora a escuridão o mar. cheiro

Zélia Guardiano disse...

Lara querida
" Nós ardemos como vela"...

Simplesmente lindo o seu poema!
Vou além: Lindíssimo!
Parabéns! Um milhão de vezes parabéns!!!
Um abraço

Francy´s Oliva disse...

Bom dia, descobri seu cantinho adorei, tenha um ótimo final de semana. Bjs

Líria Jade disse...

Adorei o poema,Lara... Suave e tênue como a luz da vela que desvela.

Beijos
Líria

A.S. disse...

Lara, iluminaste a noite, deixaste que um rio de fogo desenhasse os seus trajetos no teu corpo, como ardentes caricias...


Beijosss
AL

Márcio Vandré disse...

Eu muitas vezes prefiro a escuridão do que um fogo brando.
Um belo texto, Lara!
Beijo!

Wania disse...

Larinha

Lindas imagens VELADAs!


Bjs, minha florzinha!

PS: a foto tb está linda.

Jéssyca Carvalho disse...

Muito, muito lindo, Lara querida...
Realmente encantador!
E essa vela, e essa vida...
Tudo tão semelhante, ao mesmo tempo tão distante, que chega a subverter...

Amei, amei!

Beijos!

Hercília Fernandes disse...

Belíssimo poema, Lara.
Grande beleza imagística e semântica você traz ao Maria Clara. A expansão dos sentimentos e o jogo [inteligente] entre signos nos leva a experienciar e (des)velar sentidos.

Parabéns. Amei o texto!

Beijos,
H.F.

Matéria Escura disse...

olhos que dançam no ritmo escuro da combustão

ótimo poema
linguagem, imagens, metaforas bonitas


bj!

Elza Fraga disse...

Lara, que bom achar mais um espaço com poema seu!
Amei!
E nesses tempos de apagão nada melhor que ter vela a mão, rsrs.
Bitokitas, sucesso, luz!

tonhOliveira disse...



Vê lá da... vê Lara!

Aqui em casa quando falta "LUZ",
sou o acendedor de velas,
não suporto o cheiro, é que minha mulher e as "gurias" odeiam o cheiro...

"Fico imaginando o cheiro de rosas junto,
e o velório tá feito."

beijos!

Fouad Talal disse...

vê-la é
preciso
vela é
preciso
revelar é
preciso

Um beijo.

[ rod ] ® disse...

O fim queima mais que a uma vela presa ao seu tempo... presa ao destino do que somente fica... as marcas do que, em nós, frutifica! um bj moça e obrigado.

Rafael disse...

Bonito poema, Lara, como sempre tem sido...Mas quero ver mais contos seus!!!
Bjs

Monday disse...

Uma pequena dor da cera quente para um posterior prazer a descubrir suas formas a nos vestir a pele ...

Muito bonito o poema, belos versos e ilustração ...

Renata Luciana disse...

"a vida é como a vela,
o corpo é a cera e a alma o fogo.
o corpo só se move se houver fogo, a alma só se move se houver cera...
e se comovem...
e se consomem"

me lembra os ritos sagrados... Fogo

Belo!

Marcello disse...

Lara,

Ao ler tuas palavras pude te ver andando pelo corredor com a vela em punho, com um brilho no rosto e no sorriso.

Adoro seus poemas, o jogo de palavras, a delicadez, é como se eu lesse e as palavras flutuassem na minha cabeça....

Bjs.

José Viana Filho disse...

Belo poema , poeta de Brasilia!!!

Te segui ate aqui e não me arrependi!!

Bjs e boa semana!!

Geraldo de Barros disse...

já botei uns assuntos em dia com minha mãe, rs
resolvi dar um pulinho aqui antes de dar um pulão na cama rs
viajei na fuma dessa vela queimando, desenhando outras coisas, algumas esperadas outras nem tanto, outras ainda nem sonhadas, deixando a marca da fumaça em toda a casa, um cheirinho de vida vivida que se torna fumaça, mas não se apaga totalmente pois se transforma sempre, imagens que os suspiros desenham no ar...

beijos,
Ge.

ju rigoni disse...

Gostei muito, Larinha! Amei as imagens.

Bjs, linda, e inté!

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

Laríssima,
Você é fogo, poeta. Suas mãos incendeiam o mundo de poesia!

Num sorriso aceso,
Pedro Ramúcio.