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ma-grittando

texto de nina rizzi. todas imagsn de renèe magritte.

i-





há homens chovendo
num quadro
e há infinitos quadros
de crianças que chovem
abandonadas em estações.




uns trocados ao acaso;
a recipientalização;
umas tantas e biodiversas
de várias que não mais são
[e flores orientais num diário escolar]



há um cachimbo que é um cachimbo
- ah, a cidade não dorme
e as máquinas não param
e a fumaças no cais
e em mim
e em tudos

ii-





homens beijam mulheres
que chamam suas mulheres
e eles têm as cabeças cobertas
e elas têm vendas nos olhos
que foram vendidos por fissura.



pombas transmissoras de doenças voam
aterrisam voadoras
e as alimentam nuvens
nuvens minhas mãos
: mão esquerda do estado.



uma mulher querendo abortar
o homem invadido em si
invasora mão direita do estado.



olhamo-nos ao espelho
e as carteiras estão vazias
não temos cabeças
e os pássaros de nós
enclausurados em desespero-âmago
: gaiolas que fizeram a chamar de
minhas, meus, tuas, deles, vossas.

iii-



e há consciências
incooptáveis
incorruptíveis
utópicas
que bradam e sonham e distribuem
: esperanças que duram
não mais que um dia;
pronomes revolucionários;
onomatopéias insurgentes;
sujeitos livres
a cantar bailar gritar girar
chover
pelas fumaças
por todos os lados,
estações e cais e tudos
: resistimos
produzimos
existimos
à margem esquerda do estado.