O bonde


 
O último bonde, Sandra Nunes


O tempo impreciso, necessário
Anda às voltas – turbilhão;

Deixa rastro de estrelas
Todas idas nalgum bonde
Caleidoscópica estação.

As cidades iluminadas
Mais parecem lá do alto
Liturgia, profissão;

Arrebentam todo dia
Os que acordam em romaria:
Bando de arribação.

Ecoam pelo sagrado
Medos, martírios, brinquedos
- Marionetes de colisão:

Há na fugacidade
Uma gente dissonante
Passos simples, claudicantes
Que se vinca em contramão.

Lou Vilela

in Nudez Poética
.

6 comentários:

Úrsula Avner disse...

Oi Lou,

sempre poesia da melhor qualidade... Bj.

Juan Moravagine Carneiro disse...

Belíssimo...

abraços!

Wania disse...

Lou


Lindíssima poesia, minha amiga!
E a musicalidade perfeitamente nos trilhos!



Bj grande
PS: a tela é igualmente bela.

Adriana Karnal disse...

Lou,
vc se supera, menina....adoro o verbo "claudicar",rs

Lou Albergaria disse...

Linda demais sua crônica poética!!!

Beijos!!!

Depois vou te visitar no Nudez Poética

Lou Vilela disse...

Caríssimos,

Agradeço a todos pela apreciação do texto.

Um forte abraço,
Lou