Da noite da alma

Imagem de Holly Henry

Dedico esse poema à doce Kenia, do Poesia Torta
em resposta ao poema #298


Escuta, minh'alma:
sob o véu enegrecido desse silêncio,
sob o breu resplandecente desse céu
a dor - alarmada pela luz
grita! com brados clamantes:
- sou tua!

Agarra-a, não a negues:
não é mentira o que ela diz.
Assume-a como condição
da tua condição.

Apesar dela
e por ela
é que tu és.

E se ela te cobre
e te traz noite,
é para o teu sol de dentro
nascer majestoso na aurora.

Talita Prates


"E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
que me saiba perder... pra me encontrar..."

19 comentários:

Lara Amaral disse...

Como não escutar? Vou te dizer que brilhou tal qual Florbela, mas na sua luz própria, que já conheço um pouco, gostei até mais.

Que lindo, não falei que vc daria o ar da sua graça?! =)

Beijo.

Juan Moravagine Carneiro disse...

Um brilho intenso...

...Belo poema

...E a Kenia realmente é incrível!

Albuq disse...

Oi Talita,

Tão lindo, quanto suave e quanto forte...

bjs

leila saads disse...

Essa noite e essa aurora me lembraram um conto do Caio Fernando Abreu que acabei de ler num blog. Claro, seu poema traz uma linguagem quase oposta a dele e uma visão de aurora feliz, uma esperança quase pura no futuro, muito diferente do ceticismo da personagem de Caio. Mas vou postar um trecho aqui só por ter achado interessante essa diferença tão bruta e tão próxima entre as angústias noturnas e as auroras...

"e eu quero chafurdar na dor deste ferro enfiado fundo na minha garganta seca que só umedece com vodca, me passa o cigarro, não, não estou desesperada, não mais do que sempre estive, nothing special, baby, não estou louca nem bêbada, estou é lúcida pra caralho e sei claramente que não tenho nenhuma saída, ah não se preocupe, meu bem, depois que você sair tomo banho frio, leite quente com mel de eucalipto, ginseng e lexotan, depois deito, depois durmo, depois acordo e passo uma semana a banchá e arroz integral, absolutamente santa, absolutamente pura, absolutamente limpa... mas não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma?"

C.F.A. Morangos Morfados

leila saads disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
leila saads disse...

Bom, agora que dei minha volta por esse blog teço um novo comentário. Excelente idéia essa de fazer um blog poético totalmente feminino. Me deparo com essa ausência de referências às vezes. Estamos tão cercadas de autores masculinos, letristas masculinos que, pelo menos eu, às vezes sinto falta palavras saindo mais próximas de mim, sabe.
Vou adicionar esse blog às minhas páginas favoritas.

Até!

Adriana Karnal disse...

Talita,
De um lirismo puro, arrebata!

Wania disse...

Talita

O teu sol de dentro sempre ilumina a poesia...


Bjs

Úrsula Avner disse...

Oi Talita,

parzer em " te ler" novamente ! Seus poemas me encantam , sobretudo, pelas ricas mensagens de cunho existencialista, filosófico e/ou psicológico que traduzem seu talento e sensibilidade... Bela, intensa e sensível construção poética. Bj,

Úrsula

Mirse Maria disse...

Belíssimo, Talita!

Com esse lirismo, e com seu toque poético, todas as almas que por aqui passarem, escutarão. E persuadidas pela luz que emerge, e pacifica mentes, aqui se reterão.

Parabéns!

Beijos

Mirse

Zélia Guardiano disse...

Lindo demais! Bom para a gente ler, ler, ler, até aprender e depois, recitar... Recitar sempre que o momento pedir poesia de verdade.
Parabéns!

Um abraço

Kenia Cris disse...

Talita!
Que gentileza! Que doçura esse poema. Quando li o título, claro que já sabia que era uma resposta ao #298. Fico tão feliz que tenha gostado.

Se tiver chance assista esse vídeo Winter song, nas vozes de Sara Bareilles e Ingrid Michaelson. Ouvia a música quando tive a inspiração para o poema.

Obrigada Talita, pela surpresa tão linda, você me é muito querida, adoro a sua poesia tão viva, a escolha de palavra e tons. Como já disse em outras ocasiões, você pra mim é referência em poesia. Estou feliz demais com a homenagem!

Beijo sempre carinhoso, minha querida. =*

Renata de Aragão Lopes disse...

Talita,

bem sabe
o quanto aprecio
diálogos poéticos!

Que lindo este:
"Da noite da alma"!
Do breu à luz.

Um beijo,
doce de lira

Hercília Fernandes disse...

"E se ela te cobre
e te traz noite,
é para o teu sol de dentro
nascer majestoso na aurora".

Talita,

seu poema é pura poesia, lindas imagens você nos faz habitar. Porém, este último quarteto mexeu [imenso] comigo.

Belíssimos versos!

Beijos com carinho,
H.F.

Lou Vilela disse...

Estive no blog da Kenia para ler o poema. Ambas estão de parabéns! Gostei muito do diálogo.

Sua poesia é bem madura, Talita, e reflete um olhar filosófico.

Quanto à citação de Florbela, é uma das que mais admiro.

Abraços, minha cara!

Machado de Carlos disse...

Solidão? Lendo suas poesias, eis que a solidão desaparece. Leio e acabo pensando com você, portanto não estou só.

Jéssyca Carvalho disse...

Mais brilhante que qualquer luar, esse teu poema...
Lindo, lindo...
Lindo e profundo!

Amei!

Beijo!

Adriana Godoy disse...

Talita...sua alma é linda, lindo poema. Beijo.

Lunna Guedes disse...

Há momentos em que a alma pede pra gente ficar em silêncio, quase sempre depois de um poema.