primeira variação pra fronteira

Nelson Quesado, Pôr do sol na estrada. Fronteira Icapuí/ Ce, Mossoró/ RN.

nina rizzi

(lado a)

a cobertura e suas mil-luzes acesas, o cheiro de carne morta;
o resíduo dos serezinhos que cagam

- ser que é ser caga, se deus existe, onipotente e presente, ele faz
é muita merda -, o esgoto.

(o limite)

umas motos passam. param.
trocam balas, crack. passam.

(lado b)

uma moça e uns gatos e um cigarro e uma dose de quê num prédio trapo.

a rua, fronteira metafísica, seria planalto pra montanha depressão,
mas não.

eu a penso e ela me faz:
saudades, merdas, poemas.
*

11 comentários:

Fábio disse...

Olá tudo legal? Gostaria de convida a conhecer meu pequeno trabalho no blog Ecos em www.ecosdotelecoteco.blogspot.com . Sucesso com o blog aí hein... T +

Albuq disse...

Gostei do texto, tão realista e tantos sentidos!
bjs

Lou Vilela disse...

Gosto muito desse jeito "ellenico" de escrever.

Beijos

Mirse Maria disse...

Ei Nina!

Bela postagem com sua marca ellênica!

Beijos

Mirse

Hercília Fernandes disse...

Nina,

amei seu poema de rua que, tão bem, media linguagem e conteúdos. Extremidades e centro se fazem palcos de poesia em sua lente transfiguradora da realidade.

Mais um belo texto você nos traz ao Maria Clara. Parabéns!

Beijos,
H.F.

Adriana Godoy disse...

Essa é a Ninuska...beat com uma flor pra Iemanjá. Amei, o lado b então...beijo

Lara Amaral disse...

Poesia que deixa rastro, odor...

Das boas para conseguir isso!

Beijos.

Renata de Aragão Lopes disse...

Querida Nina,

já faz algum tempo
que acompanho seu espaço.

Sua escrita é muito peculiar!
Sempre surpreendente
e ousada na medida.

Saiba que é um prazer
estarmos juntas
neste projeto!

Um beijo!

Úrsula Avner disse...

Oi Nina,

sua escrita é de fato muito peculiar, inusitada... Não sei porque, lembrei-me do poema de Drummond que fala sobre a bunda...
Ás vezes escrevemos sobre coisas aparentemente sem importância ou desagradáveis que a poesia transforma em mensagem e beleza.

Um abraço,

Úrsula

Priscila Lopes disse...

bah, sou louca pelo teu trabalho, nina!

Adriana Karnal disse...

Adoro sua liberdade poética pra criar, te vejo nas linhas, entre as linhas e emaranhada nas palavras.