Desassossego

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Para  Ana Maria Veloso*




Eva by Francis Picabia



Adormeceu na presença
de velhos fantasmas.


O açoite dos pensamentos
fez o corpo em flagelo
exalar o cheiro putrefato:


entre a flor e o falo
o inquietante amanhã
e as horas que se acumulam
como o lodo sobre as pedras.

O medo nunca foi proteção!



Lou Vilela in Nudez Poética


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* Ana Maria Veloso é jornalista, empreendedora social Ashoka - organização mundial sem fins lucrativos, pioneira no trabalho e apoio aos empreendedores sociais -, doutoranda em comunicação pela UFPE, professora da Universidade Católica de Pernambuco. Em sua militância na área social registram-se ainda passagens pelos Fórum de Mulheres de Pernambuco, Fórum Pernambucano de Comunicação, Coletivo Intervozes de Comunicadores(as) Sociais, Sinos - Organização para o Desenvolvimento da Comunicação, dentre outras entidades e movimentos sociais (biografia gentilmente cedida pela jornalista).

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22 comentários:

Adriana Godoy disse...

Maravilhoso e expressivo poema. Justa homenagem. Parabéns às duas. Bj

Lara Amaral disse...

Que tela e que poema!

Vc vai fundo na expressão poética, Lou! Domina mesmo.

Beijos e boa semana para todas as mocinhas queridas do Maria Clara.

Hercília Fernandes disse...

Belo poema, Lou.

Coincidentemente, ontem estava revitalizando algumas leituras sobre "relações de poder entre gênero" (Joan Scott) e seu texto traz à baila aspectos sobre inconsciente coletivo e história das mulheres.

Lindo post, minha querida. E a homenagem mais do que justa.

Parabéns pela fortuna de seus trabalhos!

Beijos,
H.F.

Mirse Maria disse...

Maravilhoso, Lou!

Detalhes em foto e tema que se intertextualizam com sua poética que já é genial!

Parabéns!

Beijos

Mirse

Assis Freitas disse...

Coube desse estado d'alma o desabrochar, approach. Abraço.

Lou Vilela disse...

Dri Godoy,

A homenagem é mais que justa mesmo. As estatísticas sobre violência contra a mulher são assustadoras. A jornalista Ana Veloso é uma das militantes do Fórum de Mulheres de Pernambuco.

Beijos e obrigada pelas considerações.

Lou Vilela disse...

Larinha,

Também adoro essa tela! ;)

Quanto ao domínio, vejo-me como uma eterna aprendiz.

Beijos, minha cara, e uma excelente semana pra ti também!

Lou Vilela disse...

Hercília,

Como sempre, um olhar atento...

Eu que agradeço o rico comentário.

Beijos

Lou Vilela disse...

Mirse,

Agradeço o gentil comentário e o carinho.

Beijos

Lou Vilela disse...

Assis,

Feliz com a sua presença!

Abraços, meu caro!

Wania disse...

Lou

O medo nunca foi proteção, muito pelo contrário, vulnerabiliza mais ainda!

Liiiindas palavras e merecida homenagem para quem vivencia o dia-a-dia da violência contra a mulher!



Parabéns as duas!
Belo post,
Bjs

Lou Vilela disse...

Obrigada, Wania!

Beijos procê também

BAR DO BARDO disse...

Poema forte e amargoso - que eu trago de goela boa.

Parabéns, Lou!

Lou Vilela disse...

Henrique,

Infelizmente(?), alguns sabores são amargos.

Obrigada pela presença, meu caro!

Ando em falta com a leitura daqueles que admiro (problemas de saúde na família), mas assim que possível, retomo as visitas.

Beijos

Renata de Aragão Lopes disse...

"Adormeceu na presença
de velhos fantasmas.
(...)
O medo nunca foi proteção."

Decerto que não.
Ele os amplifica.

Parabéns, Lou!
Um beijo!

Úrsula Avner disse...

Oi Lou,

profundo e belo poema como é do seu estilo ! Rica homenagem. Bj.

Lou Vilela disse...

Complemento perspicaz, Renata!

Beijos

Lou Vilela disse...

Oi Úrsula,

Espero que tenha aproveitado as férias e que o "ócio criativo" tenha contribuído para que você nos brinde com mais uma safra de belos poemas.

Beijos

Akhen disse...

Mais que desassossego, é reflexão sobre o que nos rodeia. Acusativo.
Voltarei.

Talita Prates disse...

Gostei imenso.

Um bjo, Lou!
Boa semana.

Lou Vilela disse...

Seja muito bem-vindo, Akhen!

Abraços

Lou Vilela disse...

Uma excelente semana pra ti também, Talita!

Beijos