O velho violinista - Picasso, 1903"Amor condusse noi ad una morte" Dante, Inferno
o que mais me dói agora
é ver esse infinito amor findadoé não cruzar teu olhar de outrora
agora que me conjugas passado
( perdido, posto, finado)
o que mais me dói agora
da garganta por um nó te prendo
do corpo pelos poros me escapas
agora a vida insone me apavora
( meu sonho, o teu devora)
receio que o que mais me dói agora
é perceber que na madrugada fria
só lembranças me farão companhia
agora que a ausência de ti vigora
no fundo, sinto que o que mais dói agora
é pressentir as propostas sem propósitoconsentir na espera que desespera
agora que sei que a paz inda demora
o sonho acabou, te pergunto ciente
como sublimar o sentir que evaporapeço que esclareças antes de ir embora
a mim, que só te sei conjugar presente
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