*Mutação *

tela: anjo torto- Gabriela Bouechat

ainda que eu busque contemplar o belo
a imagem do espelho me revela
um ser em transformação
momento único, singelo
mutação

cuidados me consomem
dor aguda de pérola
forma estranha no recôndito da ostra
onde segredos se aninham e dormem
deserto que na concha se prostra

quero desbastar certezas
(nada é mais incerto que viver)
agigantar o olhar sobre a pequenez
quebrar defesas
encarar as vigas da tez

nada me distrai das indagações
que fermentam em mim
dos pensamentos em ondas revoltas
até a arrebentação... por fim

Úrsula Avner

7 comentários:

Ana Paula disse...

Belíssimo poema de Úrsula. Tanta leveza para mostrar transformações. Beijo

Adriana Karnal disse...

Úrsula,
não me canso de gostar das tuas interioridades.

Marina disse...

Seres humanos... em eterna transformação, jamais completo ou perfeito... eita bicho mais estranho esse

MIRZE disse...

LINDOOOOOOO!

Úrsula, que poema maravilhoso. Cada verso uma pérola.

Um sonho de poema!

Beijos

Mirze

Renata de Aragão Lopes disse...

Que lindo, Úrsula!
E como a vida é curiosa, não?

"nada é mais incerto que viver",
mas nada é mais certo que viver.

Um beijo,
Doce de Lira

Otelice disse...

Úrsula, não importa as mutações, a inquietude da alma, neste teu caminhar. Continua, a tua alma, sempre bela.
Bj. no coração.

Wania Victoria disse...

Úrsula

Sempre é bom abandonar os casulos, um novo par de asas alarga os horizontes...


Lindo, minha amiga!
Bjão