“Caminho Indireto” por Hercília Fernandes e Fernando Cisco Zappa


Caminho Indireto


Talvez eu devesse ter um romance
tomar banho de sol quando
tudo é inverno.

..................Talvez eu devesse te levar a sério
...................sair da rotina, romper o pacto
...................com o tédio.

Talvez eu devesse aproveitar o dia
e acolher a sofia de uma nova
cor e idéia.

..................Talvez eu devesse ser lua adversa
...................ser mais ato e muito menos
...................conversa.

Talvez eu devesse ser manifesta
e [te] mostrar de uma vez:

..................- o caminho que vai, indireto,
..................das Índias às minhas cobertas!...


(Hercília Fernandes, in: Caminho Indireto)


Fomos surpreendidos, semana passada, na Blogosfera, com a declamação do poema Caminho Indireto - da poetisa norte-riograndense Hercília Fernandes - na voz, interpretação e produção do poeta mineiro Fernando Cisco Zappa.

O áudio consiste um belo presente do poeta à poetisa e fora disponibilizado, para apreciação dos leitores, no espaço poético da autora intitulado HF diante do espelho.

Fernando Cisco Zappa, além de declamar os versos de Caminho Indireto, estabelece diálogos entre textos, imagens e sonorizações, utilizando, como fundo musical, uma linda canção que acrescenta sentidos ao poema.

No Simplesmente Poesia, o áudio se encontra exposto logo acima e, atendendo a minha solicitação, fora me encaminhado diretamente pela autora para efeito de publicação.

Termino a postagem parabenizando aos dois poetas pela parceria estabelecida:

H. F. & Cisco Zappa recebam os meus sinceros cumprimentos por tão especial e poético trabalho.

Abraços em todos,
Maria Clara.


O canto do Azulão

Miguel Gilbert.Flickr.2007
Museu de Bilbao.Espanha


Entre almas penadas
vaguei, arrastando correntes...
O verbo, canto solene,
a pena, meu instrumento.

Ouvi lamento do cárcere,
gemidos ao bailar do vento,
o grito abafado no açoite,
o ódio rangendo nos dentes.

A mistura rubro-negra
do sangue correndo na carne
coroou a tese racista
que impôs a barbárie.

Na imensa capilaridade da ignorância
- apesar das leis outorgadas -
perpetua-se mensagens subliminares,
reforça-se a discriminação velada.


Lou Vilela