Postagem Simplesmente Poesia (2)


per augusto & machina

Romério Rômulo no Portal Cronópios


augusto e máquina se arranham
na última dose atormentada
do corpo. a válvula é entranha.
até a amargura é mutilada.

...................................................(augusto e máquina)


Líria Porto: a poeta do mar e da lua nas minas gerais

Tela: A menina do mar e da lua


Azuis

uma história triste
derramou o mar
nos olhos de clara

para consolá-la
precisei bordar
mil lençóis d'água

by Líria Porto


de toca

a lua girou no céu
um tanto godê brancura
parecia rosa aberta
pura seda na cintura

(pena - o sol dormia)

as pernas alvas da lua
tão saborosas carnudas
estampavam-se no escuro
e despertavam libido
e provocavam arrepios

(pena - o sol dormia)

os santos mais piedosos
os anjos mais pudorosos
enchiam de água a boca
enquanto a lua sorria
flutuava esplendorosa
cheiro seu em quase tudo

(pena - o sol dormia)

by Líria Porto

sensibilidad

quem nascesse sem olhos
ou privado de luz
teria que saber do mundo
por outros sentidos

seria capaz de perceber a beleza
o perfume
a textura do azul?

poderia entendê-lo
ao ouvir um blue?

by Líria Porto

lavai

tal qual um menino
procura brinquedos
lá vai o poeta
a tinta as letras

tal qual passarinho
no uso das asas
lá vai o poeta
o voo as palavras

tal qual a canoa
por cima do rio
lá vai o poeta
o remo a rima

tal qual marinheiro
no rumo do mar
lá vai o poeta
a barca o navio

tal qual lavra_dor
na lida da terra
lá vai o poeta
a enxada a caneta

lavai

by Líria Porto

ladainha

faço verso rastejante
igual cobra no papel

faço verso flutuante
passarinho lá no céu

faço verso comprimido
fechado dentro do frasco

faço verso assim ridículo
acostumado ao fiasco

faço verso bem florido
nascido em pleno setembro

faço verso esquecido
o jeito dele nem lembro

faço verso galopante
como visita de amante

faço verso des'tamanho
coração de minha mãe

faço verso
faço verso
faço verso

by Líria Porto


  • Conhecendo um pouco mais de Líria Porto:


.......Líria Porto é poetisa e professora em Minas Gerais. Atualmente, reside em Belo Horizonte. Em seu espaço na Internet tanto mar, a autora poetiza suas origens, se autodefinindo: erva daninha: de araguari transplantei-me para belo horizonte e espalhei raiz.


  • Para ler mais:


Blocos Online

Varanda das estrelícias



Meu Sertão

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Por-do-sol no Sertão by Kalila Pinto


naquela terra árida
jazia uma semente
regada quase sempre
à lágrima curtida

mal sabia eu
que no céu floria
em divina sintonia
flor de mandacaru

meu sertão, preso na garganta
enquanto dura a pena
pare versos


Lou Vilela

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* Publicado originalmente em 20/12/08 no blog da autora.

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INVISÍVEIS CAMINHOS








Invisíveis caminhos








Suspensos no ar...








Somente aos pássaros








Cabe enxergar








Há trilhas nos rios








Que o homem não alcança








Invisíveis ao seu saber








Só os peixes podem ver








Há buscas no ar








Onde nuvens escolhem rumos








Os homens, diante dessa magia








Impotentes compõem:



S I M P L E S M E N T E
P
O
E
S
I
A







As canções embalam sonhos de Helena

Ilustração: Custódio Jacinto

Retrato de Helena consiste o meu primeiro trabalho publicado em livro. A obra envolve a narrativa de um conto psicológico; e, a cada final de capítulo, se apresenta um bloco de poemas contextualizados com as vivências da personagem protagonista “Helena”.

O livro contém cinco capítulos: O Espelho; O Devaneio; A Promessa; A Descoberta e A Fotografia. E, fora publicado, em 2005, através de apoio cultural fornecido pelo SESC-RN e distribuído nas escolas públicas do Rio Grande do Norte e centros educativos do SESC.

O Retrato de Helena, além de prosa e poesia, contêm várias ilustrações feitas pelo artista plástico seridoense Custódio Jacinto e inclui um Cd com 12 poemas musicados e arranjados pelo músico, compositor e intérprete alagoano Marcus Vinícius, meu esposo. Alguns desses poemas são canções que compusemos há mais de dez anos, dentre elas as músicas Delírios de Apaixonado e Relógio Fulgás do Saber.

Para composição desta matéria, apresento aos leitores do Maria Clara: simplesmente poesia duas canções que fazem parte do primeiro capítulo do Retrato de Helena. Nesse capítulo, O Espelho, ocorre o encontro da personagem com a poesia que a instiga a se contemplar e observar o mundo. Os sonhos e os fenômenos da criação tornam-se para Helena os cristais de meditação.

Assim, escolhi duas canções reflexivas: Relógio Fulgás do Saber e Silêncio da Noite, cujas melodias e arranjos de violões acentuam as qualidades oníricas, paisagísticas e metafísicas das sensações experimentadas pela protagonista.

Para melhor apreciação e entendimento dos leitores e ouvintes, disponibilizo as músicas em áudio e as letras acompanhadas por cifras, que me foram, gentilmente, fornecidas por Marcus Vinícius.

Mas, sem mais demora, passemos às canções que embalam os sonhos de Helena...


Relógio Fulgás do Saber

Letra: Hercília Fernandes
Música: Marcus Vinícius
Arranjos de violões e voz: Marcus Vinícius

C
Tempo que me faz tremer
G/B
Relógio fulgás do saber.
(Bb)6/9..........................................(A)7m6
Até quanto um homem pode crescer?

C
Eu não sei, nem você!
G/B
Até quando pulsa um coração.
(Bb)6/9..........................................(A)7m6
O tempo não envelhece a canção:
(Bb)6/9...........................................(A)7m6
racha, marca, renova, mas não...
(Bb) 6/9
Não mata a eterna canção.

C
O vidro se quebra
G/B
o orgulho enferruja
Dm
O tempo muda:
Am
a seca, a chuva.
C
A casa amarela
G/B
a porta se fecha
Dm
E, o sino continua lá,
Am7
ele bate devagar;
.............AM7.................A
nem o tempo o faz calar,
..............FM7.....................A 4/7
nem o tempo o faz calar...

(Bis)


Silêncio da Noite

Letra e música: Hercília Fernandes
Produção e arranjos de violões: Marcus Vinícius
Voz: Hercília Fernandes
Vocais: Marcus Vinícius

G
Viajo entre as estrelas
.................D
vejo meu mundo ruir
.......Am7
As dores da natureza
........C
que já senti e, ainda,
.................D
estão por vir.

G
Meus sonhos de criança
...........Em7
ainda estão aqui
....Am7
A eterna esperança
..............C......................D7
de num salto poder subir.

Em9
E vou...
........................D
aonde o vento me levar
Em9
Sou...
...............D
o que o tempo não pode mudar
Em9
Vou...
..............D
além do mar, além do olhar
Em9
Sou...
.....................................D...C
o silêncio da noite a gritar.



Breve Biografia de Marcus Vinícius:


O músico e compositor Marcus Vinícius nasceu em 22 de janeiro de 1968, na cidade de Arapiraca-AL. Desde criança apresenta talento à música, interessando-se por violão e guitarra. Ainda adolescente inicia a sua carreira musical e, no ano de 1989, conhece a professora e compositora Hercília Fernandes, passando a compor canções em parceria que serão gravadas, mais tarde, por ele mesmo, artistas e bandas nordestinas, dentre eles: Circuito Musical, Magníficos, Perfume de Gardênia e Lane Cardoso. Há vinte anos no cenário musical, Marcus Vinícius possui um vasto histórico de participações em grandes shows de MPB e contêm músicas editadas pela Sony Music. Para conhecer um pouco mais da trajetória artista do músico, visite a sua página no MySpace.



Postagem Simplesmente Poesia



ROMÉRIO RÔMULO: o cantador de mistérios em Vila Rica
(Entrevista)



.........................eu faço poesia
................................porque a vida não basta
......................................e preciso dividir mistérios
...

...........................................................Romério Rômulo in: Para Renata

“Caminho Indireto” por Hercília Fernandes e Fernando Cisco Zappa


Caminho Indireto


Talvez eu devesse ter um romance
tomar banho de sol quando
tudo é inverno.

..................Talvez eu devesse te levar a sério
...................sair da rotina, romper o pacto
...................com o tédio.

Talvez eu devesse aproveitar o dia
e acolher a sofia de uma nova
cor e idéia.

..................Talvez eu devesse ser lua adversa
...................ser mais ato e muito menos
...................conversa.

Talvez eu devesse ser manifesta
e [te] mostrar de uma só vez:

..................- o caminho que vai, indireto,
..................das Índias às minhas cobertas!...


(Hercília Fernandes, in: Caminho Indireto)


Fomos surpreendidos, semana passada, na Blogosfera, com a declamação do poema Caminho Indireto - da poetisa norte-riograndense Hercília Fernandes - na voz, interpretação e produção do poeta mineiro Fernando Cisco Zappa.

O áudio consiste um belo presente do poeta à poetisa e fora disponibilizado, para apreciação dos leitores, no espaço poético da autora intitulado HF diante do espelho.

Fernando Cisco Zappa, além de declamar os versos de Caminho Indireto, estabelece diálogos entre textos, imagens e sonorizações, utilizando, como fundo musical, uma linda canção que acrescenta sentidos ao poema.

No Simplesmente Poesia, o áudio se encontra exposto logo acima e, atendendo a minha solicitação, fora me encaminhado diretamente pela autora para efeito de publicação.

Termino a postagem parabenizando aos dois poetas pela parceria estabelecida:

H. F. & Cisco Zappa recebam os meus sinceros cumprimentos por tão especial e poético trabalho.

Abraços em todos,
Maria Clara.


O canto do Azulão

Miguel Gilbert.Flickr.2007
Museu de Bilbao.Espanha


Entre almas penadas
vaguei, arrastando correntes...
O verbo, canto solene,
a pena, meu instrumento.

Ouvi lamento do cárcere,
gemidos ao bailar do vento,
o grito abafado no açoite,
o ódio rangendo nos dentes.

A mistura rubro-negra
do sangue correndo na carne
coroou a tese racista
que impôs a barbárie.

Na imensa capilaridade da ignorância
- apesar das leis outorgadas -
perpetua-se mensagens subliminares,
reforça-se a discriminação velada.


Lou Vilela