As canções embalam sonhos de Helena

Ilustração: Custódio Jacinto

Retrato de Helena consiste o meu primeiro trabalho publicado em livro. A obra envolve a narrativa de um conto psicológico; e, a cada final de capítulo, se apresenta um bloco de poemas contextualizados com as vivências da personagem protagonista “Helena”.

O livro contém cinco capítulos: O Espelho; O Devaneio; A Promessa; A Descoberta e A Fotografia. E, fora publicado, em 2005, através de apoio cultural fornecido pelo SESC-RN e distribuído nas escolas públicas do Rio Grande do Norte e centros educativos do SESC.

O Retrato de Helena, além de prosa e poesia, contêm várias ilustrações feitas pelo artista plástico seridoense Custódio Jacinto e inclui um Cd com 12 poemas musicados e arranjados pelo músico, compositor e intérprete alagoano Marcus Vinícius, meu esposo. Alguns desses poemas são canções que compusemos há mais de dez anos, dentre elas as músicas Delírios de Apaixonado e Relógio Fulgás do Saber.

Para composição desta matéria, apresento aos leitores do Maria Clara: simplesmente poesia duas canções que fazem parte do primeiro capítulo do Retrato de Helena. Nesse capítulo, O Espelho, ocorre o encontro da personagem com a poesia que a instiga a se contemplar e observar o mundo. Os sonhos e os fenômenos da criação tornam-se para Helena os cristais de meditação.

Assim, escolhi duas canções reflexivas: Relógio Fulgás do Saber e Silêncio da Noite, cujas melodias e arranjos de violões acentuam as qualidades oníricas, paisagísticas e metafísicas das sensações experimentadas pela protagonista.

Para melhor apreciação e entendimento dos leitores e ouvintes, disponibilizo as músicas em áudio e as letras acompanhadas por cifras, que me foram, gentilmente, fornecidas por Marcus Vinícius.

Mas, sem mais demora, passemos às canções que embalam os sonhos de Helena...


Relógio Fulgás do Saber

Letra: Hercília Fernandes
Música: Marcus Vinícius
Arranjos de violões e voz: Marcus Vinícius

C
Tempo que me faz tremer
G/B
Relógio fulgás do saber.
(Bb)6/9..........................................(A)7m6
Até quanto um homem pode crescer?

C
Eu não sei, nem você!
G/B
Até quando pulsa um coração.
(Bb)6/9..........................................(A)7m6
O tempo não envelhece a canção:
(Bb)6/9...........................................(A)7m6
racha, marca, renova, mas não...
(Bb) 6/9
Não mata a eterna canção.

C
O vidro se quebra
G/B
o orgulho enferruja
Dm
O tempo muda:
Am
a seca, a chuva.
C
A casa amarela
G/B
a porta se fecha
Dm
E, o sino continua lá,
Am7
ele bate devagar;
.............AM7.................A
nem o tempo o faz calar,
..............FM7.....................A 4/7
nem o tempo o faz calar...

(Bis)


Silêncio da Noite

Letra e música: Hercília Fernandes
Produção e arranjos de violões: Marcus Vinícius
Voz: Hercília Fernandes
Vocais: Marcus Vinícius

G
Viajo entre as estrelas
.................D
vejo meu mundo ruir
.......Am7
As dores da natureza
........C
que já senti e, ainda,
.................D
estão por vir.

G
Meus sonhos de criança
...........Em7
ainda estão aqui
....Am7
A eterna esperança
..............C......................D7
de num salto poder subir.

Em9
E vou...
........................D
aonde o vento me levar
Em9
Sou...
...............D
o que o tempo não pode mudar
Em9
Vou...
..............D
além do mar, além do olhar
Em9
Sou...
.....................................D...C
o silêncio da noite a gritar.



Breve Biografia de Marcus Vinícius:


O músico e compositor Marcus Vinícius nasceu em 22 de janeiro de 1968, na cidade de Arapiraca-AL. Desde criança apresenta talento à música, interessando-se por violão e guitarra. Ainda adolescente inicia a sua carreira musical e, no ano de 1989, conhece a professora e compositora Hercília Fernandes, passando a compor canções em parceria que serão gravadas, mais tarde, por ele mesmo, artistas e bandas nordestinas, dentre eles: Circuito Musical, Magníficos, Perfume de Gardênia e Lane Cardoso. Há vinte anos no cenário musical, Marcus Vinícius possui um vasto histórico de participações em grandes shows de MPB e contêm músicas editadas pela Sony Music. Para conhecer um pouco mais da trajetória artista do músico, visite a sua página no MySpace.



Postagem Simplesmente Poesia



ROMÉRIO RÔMULO: o cantador de mistérios em Vila Rica
(Entrevista)



.........................eu faço poesia
................................porque a vida não basta
......................................e preciso dividir mistérios
...

...........................................................Romério Rômulo in: Para Renata

“Caminho Indireto” por Hercília Fernandes e Fernando Cisco Zappa


Caminho Indireto


Talvez eu devesse ter um romance
tomar banho de sol quando
tudo é inverno.

..................Talvez eu devesse te levar a sério
...................sair da rotina, romper o pacto
...................com o tédio.

Talvez eu devesse aproveitar o dia
e acolher a sofia de uma nova
cor e idéia.

..................Talvez eu devesse ser lua adversa
...................ser mais ato e muito menos
...................conversa.

Talvez eu devesse ser manifesta
e [te] mostrar de uma só vez:

..................- o caminho que vai, indireto,
..................das Índias às minhas cobertas!...


(Hercília Fernandes, in: Caminho Indireto)


Fomos surpreendidos, semana passada, na Blogosfera, com a declamação do poema Caminho Indireto - da poetisa norte-riograndense Hercília Fernandes - na voz, interpretação e produção do poeta mineiro Fernando Cisco Zappa.

O áudio consiste um belo presente do poeta à poetisa e fora disponibilizado, para apreciação dos leitores, no espaço poético da autora intitulado HF diante do espelho.

Fernando Cisco Zappa, além de declamar os versos de Caminho Indireto, estabelece diálogos entre textos, imagens e sonorizações, utilizando, como fundo musical, uma linda canção que acrescenta sentidos ao poema.

No Simplesmente Poesia, o áudio se encontra exposto logo acima e, atendendo a minha solicitação, fora me encaminhado diretamente pela autora para efeito de publicação.

Termino a postagem parabenizando aos dois poetas pela parceria estabelecida:

H. F. & Cisco Zappa recebam os meus sinceros cumprimentos por tão especial e poético trabalho.

Abraços em todos,
Maria Clara.


O canto do Azulão

Miguel Gilbert.Flickr.2007
Museu de Bilbao.Espanha


Entre almas penadas
vaguei, arrastando correntes...
O verbo, canto solene,
a pena, meu instrumento.

Ouvi lamento do cárcere,
gemidos ao bailar do vento,
o grito abafado no açoite,
o ódio rangendo nos dentes.

A mistura rubro-negra
do sangue correndo na carne
coroou a tese racista
que impôs a barbárie.

Na imensa capilaridade da ignorância
- apesar das leis outorgadas -
perpetua-se mensagens subliminares,
reforça-se a discriminação velada.


Lou Vilela

Rosa de Anjo - VIDA





A rosa que o anjo me deu


passo-a a você, anjo meu





Ainda traz o húmus da terra


O musgo da vida que encerra





Do sol, só quer a luz


Seja o sol que a conduz





Da terra, trouxe o segredo


Desvende-o, sem medo





Na terra há o segredo eterno


do seio e do ventre materno





Ela é cor de rosa chá


Envolve-a bruma leve





Que vai deixá-la viver


Pelo tempo que seu sorriso





P E R M A N E C E R





Curiosidades:
Rosas Amarelas: amor por alguém que está a morrer ou um amor platónico
Rosas Brancas: reverência, segredo, inocência, pureza e paz
Rosas Champanhe: admiração, simpatia
Rosas Coloridas em tons claros: amizade e solidariedade
Rosas Coloridas, predominando as vermelhas: amor, paixão e felicidade
Rosas Cor-de-rosa: gratidão, agradecimento, o feminino (muitas vezes aparece simbolizando o útero (da mulher) em algumas culturas.

Vozes femininas no Maria Clara: simplesmente poesia



Quando criei o blog “Maria Clara: simplesmente poesia” tinha em mente compor um cantinho prazeroso de leitura e interação textual onde se pudesse apreciar e debater elementos de composição e receptividade literária.

A minha intenção central guiou-se, basicamente, em contribuir no processo de fruição da leitura na Internet, especialmente de textos oriundos de autores que difundem as suas obras em blogs/sites, cujos espaços e escritas venho acompanhando já há algum tempo.

Com o passar dos dias, percebi, no entanto, que o meu tempo para dedicação ao projeto se apresentava demasiadamente limitado e que, para a devida concretude e autonomia do Simplesmente Poesia, fazia-se necessário estabelecer parcerias com outras vozes a fim de efetivar o enriquecimento e circulação das postagens, promovendo assim a receptividade entre autores, textos e leitores.

Pelas razões mencionadas, o Maria Clara: simplesmente poesia agora dispõe da preciosa colaboração das poetisas Hercília Fernandes, Mirze Souza e Lou Vilela; que, aderindo ao blog, passarão a contribuir, semanalmente, como autoras através de autonomia concedida para seleção/diagramação, difusão de textos e imagens. E, as postagens realizar-se-ão mediante a ordem de adesão, conforme enumeração acima, completando um circuito de 4 (quatro) semanas.

Assim, para celebrar a adesão das autoras neste cantinho de leitura, o blog reúne, em postagem única, alguns textos das poetisas colaboradoras a fim de apresentar, aos leitores, o que nos espera a partir dessa grande parceria.

Passemos às autoras colaboradoras e suas escritas:



Hercília Fernandes

Amor Medonho

Não foi um sonho...
Havia mangueiras, goiabeiras, roseirais.
Açude, parede, casas na ribanceira
onde lençóis flutuavam
nos varais.

Não foi um sonho...
Havia um homem, uma mulher
arvoredos e cânticos de pardais.
Um amor medonho nas colinas, no lajedo
nos postais.

(Hercília Fernandes, in: HF diante do espelho)


Mirze Souza

Murmúrio

Murmurava
uma agonia
dentro de mim.

Tentando entender
uma lágrima

E
S
C
O
R
R
I
A

Era o romper
de uma poesia
que nascia
assim...

temente
da luz
do sol nascente.

(Mirze Souza, in: Meu Lampejo)



Lou Vilela

Bichos da Noite

No ecoar dos bichos da noite
Pura poesia:

Talvez susto, talvez medo
Talvez amor...
Ou sinfonia.

Em meu habitat enluarado
Aluado
Também sou bicho:

Talvez coruja
Talvez grilo...
Ou vaga-lume

Numa noite em que os bichos
Inquietos
Manifestam-se.

(Lou Vilela, in: Nudez Poética)


Além de expor esta seleção pessoal de poemas das autoras, o Simplesmente Poesia aproveita a ocasião para agradecer oficialmente às poetisas por terem, generosamente, aderido ao blog.

Hercília Fernandes, Mirze Souza e Lou Vilela recebam os sinceros agradecimentos do Maria Clara: simplesmente poesia e sintam-se muito queridas neste espaço.


Notas:

*Autoras e escritas expostas mediante a ordem de adesão ao Simplesmente Poesia.
**Postagem alterada em 15/05/09.


Diálogos de Henrique Pimenta com Florbela Espanca


Henrique Pimenta
, sensível a minha adoração pela poesia de Florbela Espanca, me ofereceu dois sonetos, através de email, que dialogam com poemas da bela poetisa portuguesa. Apreciemos as escritas:


Imitando os baixos de Florbela Espanca


Amar, não sei por que, sentir embora
bastante além do verbo de primeira
conjugação, natura a fauna e flora,
a natureza prima, a cabeceira

d’alma que pelos poros incorpora,
dando corpo aos mistérios de maneira
que se atinja a surpresa da cânfora
que as forças revigora por leseira.

Amar, amar... o sentimento mais,
mas o sentido mor menos sentido
e tido sem sentido no queimar

de indiferente gelo o sumo gás,
a glória mista ao tédio repetido:
amar, amar, amar, amar, amar...

(Henrique Pimenta, 22 mar. 2008)



Biografia de Florbela


Dom Sombrio, o biógrafo de Espanca,
Que disse, nunca li, acerca dela?
Dizer o quê, que tinha boas ancas,
Rimava boca à louca? Que esparrela!

Será biografia que desbanca
A lira, melhor o lero da balela,
As fotos da família, se era manca,
Fumante inveterada, se era aquela?

Alguém conhecerá na completude
Um outro que é abelhas em enxame,
Que é lebres e mais lebres, quem é ela?

Ao léu da luz se lança em atitude
De artista a dona lusa no certame
Pelo caótico jardim: lamela.

(Henrique Pimenta, 08 abr. 2008)





Henrique Pimenta é militar e professor. Na Web, o poeta publica seus poemas no blog Bar do Bardo. No espaço se encontram excelentes sonetos e outras formas de composição. Leiamos um pouco mais do Bardo:


Chamada


O macho neste dia não se esquece
De beijos e de flores e da lua
No céu. Cansei do macho, de ser esse
Clichê para a mulher que continua

No páreo pelo pódio que entorpece.
Eu acho que o meu falo foi a sua
Desculpa feminista para o estresse
De filhos, domicílio e o que conclua

Seu rol de "me fodi", jornada dupla.
Na cúpula do sonho, o desencanto.
Na cópula gostosa, pela culpa

Que pula à perereca frigidona,
Ao menos um pouquinho do meu canto
Picante, para a chama vir à tona.

(Henrique Pimenta, in: Bar do Bardo)


Nota: Soneto publicado no Bar do Bardo, em 08 de março de 2009, Dia Internacional das Mulheres.


A Literatura Infantil de Lou Vilela

A formicesa trabalhava
dia e noite, noite e dia.
A princemiga se enfeitava,
comia e dormia.
A princemiga num dia de sol,
seguiu a formicesa...
“Tão pequenininha, carregando a comida.”
Sentiu um orgulho imenso, com ela aprendeu.
O tempo passou, a princemiga cresceu.
Mudou tanto que ficou
com jeitinho de formicesa.
E não é que a princemiga
tinha ficado mais linda?

by Lou Vilela.


Não tem quem aguente


Tem certas dores
que dão de repente
não tem quem aguente.

Dor de barriga
é a acrobata lombriga
dançando escondida?

Dor de ouvido
é o travesso mosquito
zanzando, zunindo?


Dor de dente
é o teimoso pica-pau
tamborilando na gente?


Dor de cabeça
é a sábia suindara
rasgando mortalha?


Dor de garganta
é a aranha arteira
tramando sua teia?


Pra dor sarar
que tal um beijinho
e muito carinho?


by Lou Vilela.



De quem é o sino?
É da mimosa
- Vaca charmosa.


E a coleira?
É do radar
- Cão de guarda espetacular.


E o carrinho?
É do João
- Amigo-irmão.


E a boneca assanhada?
É da Maria
- Menina-alegria.


E o chapéu?
É do valente cowboy
- Meu herói.


E o avental?
É da sublime poesia
- Meu anjo-guia.


E o amor?
É chocolate quente
Aquece o coração de toda a gente.


by Lou Vilela.

Lobo bobo

“Era uma casa muito engraçada, não tinha porta, não tinha nada”... Também não morava lá nenhuma vovó. E assim, o lobo percebeu a troca de endereços. Quis se esconder, mas era tarde demais! A casa vermelha o encantara. Era toda decorada com sentimentos. Ali, na ante-sala do coração, o lobo mau percebeu o quanto era bobo. Hoje em dia, quando se ouve um uivo em noite de lua cheia, sabe-se que é mais um lobo espalhando poesia em sua cantiga de amor.


by Lou Vilela.



Conhecendo um pouquinho da autora:


Lou Vilela, natural de Natal/RN e residente no Recife/PE, é formada no curso de Administração e possui Pós-Graduação em Logística Estratégica. Expande a sua arte literária, em verso e prosa, em seu blog Nudez Poética. No seu espaço, o leitor também encontra poesia e prosa para crianças.


Nota:

Biografia extraída do blog da autora e de artigo no blog Novidades & Velharias.